Rui Rio: Costa é “o verdadeiro responsável político por manter” Eduardo Cabrita

Presidente do PSD defende que, caso se confirme que a GNR foi impedida de investigar o veículo oficial do MAI envolvido num atropelamento mortal, fica provado que o carro ia “em excesso de velocidade”.



A continuidade de Eduardo Cabrita como ministro da Administração Interna foi alvo de novas críticas por parte do líder do PSD, Rui Rio. Na sequência de notícias que avançam que a GNR terá sido impedida por “ordem superior” de averiguar o veículo oficial do MAI envolvido num acidente mortal, no passado dia 18 de Junho, o líder social-democrata defendeu que io primeiro-ministro, António Costa, está a segurar o ministro no cargo “contra tudo e contra todos”.

Esta quinta-feira, o Correio da Manhã revela que o objectivo dos militares era analisar a que velocidade o veículo se deslocava quando aconteceu o acidente. Segundo o diário, os elementos do Núcleo de Investigação Criminal a Acidentes de Viação (NICAV) da GNR de Évora só conseguiram tirar fotografias no local do acidente, não sabendo “para onde a viatura foi levada depois de ser removida do local por um reboque da própria GNR”.

“Se isto se confirmar é gravíssimo. Prova, na prática, que o carro vinha em excesso de velocidade”, escreveu Rio na sua conta no Twitter, numa mensagem em que partilha uma notícia sobre o tema. Para o líder social-democrata, “prova também que o primeiro-ministro é o verdadeiro responsável politico por insistir em manter - contra tudo e contra todos - o ministro da Administração Interna em funções”.

O acidente na auto-estrada que liga Marateca à fronteira do Caia, em Elvas (distrito de Portalegre), ocorreu “por volta das 13h00” do dia 18 de Junho, ao quilómetro 77, na zona do concelho de Évora, no sentido Évora - Lisboa, segundo divulgou na altura a GNR.

A vítima mortal, um trabalhador de uma empresa que realizava trabalhos de manutenção da via, ainda “foi assistido”, mas “acabou por falecer no local”, assinalou à Lusa, nesse dia, o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora.

O MP abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte do trabalhador, “como sempre acontece neste tipo de situações”, ou seja, em acidentes rodoviários com mortos, segundo fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR). O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu igualmente um inquérito interno sobre as circunstâncias em que foi prestado o socorro no acidente.

Esta quarta-feira, o advogado da família do trabalhador que morreu trabalhador disse, em declarações à Lusa, que a zona tem grande visibilidade, mas “não há sequer uma travagem no local”.

“Não se percebe porque é que o [condutor do] carro não viu o obstáculo [o trabalhador] à sua frente com tanta visibilidade e tanto tempo para poder reagir”, avançou José Joaquim Barros, argumentando que “não há sequer uma travagem no local”.

Segundo o advogado, o local onde ocorreu o acidente “não é exactamente uma recta”, tem “uma curva muito ligeira à esquerda”, mas é uma zona que “tem uma visibilidade muito grande, seguramente superior a um quilómetro”.

Além disso, sublinhou, as obras de manutenção em curso no local quando ocorreu o acidente “estavam devidamente sinalizadas e o trabalhador ia também devidamente equipado, com calças e colete reflectores”.

Sobre eventuais imagens de videovigilância do local do acidente, José Joaquim Barros manifestou-se esperançado que existam: “Não sei ainda, admito que sim e quase me atreveria a afirmar que sim, porque o acidente ocorreu a dois quilómetros da saída Norte para Évora”.

Para o advogado, essas eventuais imagens de videovigilância “podem vir a ser um elemento muito importante, caso as coisas não se resolvam consensualmente”, como disse esperar que venham a resolver-se.

José Joaquim Barros notou que “ainda é cedo” para se constituir como assistente no inquérito aberto pelo Ministério Público (MP), mas disse querer “consultar o processo logo que seja possível”.

Na terça-feira, fonte da Brisa assegurou à Lusa que no dia e local do acidente “a sinalização dos trabalhos de limpeza realizados na berma direita da A6 estava a ser cumprida pela ArquiJardim”, a empresa responsável pela execução dessa intervenção.

Estes esclarecimentos por parte da empresa concessionária da auto-estrada diferem das explicações dadas pelo Ministério da Administração Interna (MAI), em comunicado no dia seguinte ao acidente em que referia não existir sinalização no local.

Questionado pela Lusa sobre estes esclarecimentos do MAI, José Joaquim Barros acusou o MAI de “pôr em xeque muitas pessoas, não só o trabalhador, mas, sobretudo, a Brisa e a empresa contratada, a ArquiJardim”.

“É possível deduzir desse comunicado um alijar de responsabilidades que não é correcto, mas isso já está esclarecido. As obras estavam devidamente sinalizadas”, frisou.

Segundo o ministério tutelado por Eduardo Cabrita, o veículo “não sofreu qualquer despiste” e “circulava na faixa de rodagem, de onde nunca saiu, quando o trabalhador a atravessa”.

“O trabalhador atravessou a faixa de rodagem, próxima do separador central, apesar de os trabalhos de limpeza em curso estarem a decorrer na berma da auto-estrada”, referia o mesmo comunicado.

*Com Lusa

Ler mais
PUB