Regresso às aulas vai “aumentar o número de casos” de covid-19

Directora da Escola Nacional de Saúde Pública acredita que subida de números não se traduza em casos graves da doença. Carla Nunes defende também que se use máscara em espaços fechados.



O regresso às aulas vai representar um aumento do número de casos de covi-19, uma vez que as crianças abaixo dos 12 anos não foram incluídas no plano de vacinação contra a doença provocada pelo SARS-CoV-2 e as vacinas autorizadas pela Agência Europeia do Medicamento ainda não estarem disponíveis para esta faixa etária. A afirmação foi feita pela directora da Escola Nacional de Saúde Pública, Carla Nunes, para quem, no entanto, que a subida não terá “consequências em termos de casos graves”.

“Sabemos que não tendo maioritariamente situações graves, podem transmitir. O que acontece é que a quem eles podem transmitir (o vírus) já está mais protegido pelas vacinas. Vai, obviamente, aumentar o número de casos, porque vamos também sempre testar e rastrear nas escolas e isso tem de continuar a avançar, mas penso que não vai ter consequências em termos de casos graves e que se tornem mais importantes do que a importância de as crianças voltarem à escola”, disse a especialista em entrevista à Lusa, reforçando a necessidade de continuar uma monitorização atenta.

“Vamos ter de continuar a controlar o processo e a identificar quem são os (contactos) de alto risco e de baixo risco. Agora, o que se faz com isso e as medidas, obviamente, tudo isso tem de ser flexibilizado de outra forma”, explicou. Mas Carla Nunes, tem uma certeza: o “caos” gerado no último ano letivo com as suspensões frequentes de ensino presencial já não se justifica perante as consequências ao nível da expressão da doença.

Para a epidemiologista e matemática, a covid-19 deve deixar de ser pandémica e tornar-se endémica no futuro. Mas, é importante “continuar a fazer genotipagem e toda a vigilância epidemiológica” pois é a única maneira de se “garantir que as variantes que estão a aparecer são sempre dentro do mesmo âmbito de todas as variantes” de preocupação que já foram reportadas pela classe científica. “É uma doença que vai entrar no nosso conjunto de doenças, com as quais nós vivemos e haverá fases piores e fases melhores para essa doença, na melhor das hipóteses. A pior das hipóteses seria haver uma variante nova em que voltássemos quase ao ‘início do jogo’, mas que não está, obviamente, em cima da mesa”, declarou.

A luta contra a doença deve manter-se perante estas perspectivas. E os cuidados dos cidadãos também, mesmo que haja algum aligeiramento das medidas. “Em espaços fechados as pessoas devem continuar a ter a máscara, a ter o distanciamento, a lavar as mãos e a abrir sempre as janelas. São medidas que, de alguma forma, não nos inibem totalmente de retomarmos a nossa vida: podemos continuar a trabalhar, a sair, a ir ao cinema e retomar a maior parte das coisas que fazemos”, defende Carla Nunes, rematando: “Estas medidas não são limitativas da nossa vida, somente aborrecidas”.

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