Paulo de Morais quer que António Costa esclareça papel de Siza Vieira e Costa Silva na naturalização de Abramovich

Carta aberta do presidente da associação Frente Cívica apela a que seja apurado se o actual e o anterior ministros da Economia tiveram intervenção na atribuição da nacionalidade ao oligarca próximo de Vladimir Putin. E exige retirada do passaporte português caso se confirme que o processo foi ilegal ou fraudulento.



O presidente da associação Frente Cívica, Paulo de Morais, quer que o primeiro-ministro António Costa “esclareça cabalmente qual o âmbito e conteúdo concretos” das reuniões entre a Comunidade Israelita do Porto e os actual e anterior ministros da Economia, António Costa Silva e Pedro Siza Vieira. E que seja apurado que esses governantes “tiveram qualquer intervenção, formal ou informal, junto das autoridades administrativas ou do Ministério da Justiça”, no processo de naturalização do multimilionário russo Roman Abramovich.

Numa carta aberta enviada a 17 de Maio a António Costa, a que o NOVO teve acesso, o antigo candidato presidencial considera que as notícias de contactos entre essas figuras e a Comunidade Israelita do Porto “são profundamente perturbadoras porque levantam suspeitas de que se tenham movido influências políticas para um desfecho célere do processo de naturalização, que acabou de facto decidido de forma inusualmente expedita”.

“Isso significa que o inquérito interno há meses em curso no Instituto dos Registos e do Notariado (e do qual não há quaisquer conclusões ou consequências conhecidas ainda hoje) pode ser insuficiente para apurar todas as responsabilidades relevantes neste processo - desde logo as eventuais responsabilidades políticas de membros do Governo, além daqueles que, no âmbito da Lei da Nacionalidade, decidiram a naturalização de Roman Abramovich”, escreveu Paulo de Morais na carta aberta, também enviada à nova titular da pasta da Justiça, Catarina Sarmento e Castro.

Esta iniciativa surge na sequência de um primeiro pedido de intervenção de António Costa, feito pela Frente Cívica a 22 de Março, em que se requeria o esclarecimento das circunstâncias da obtenção da nacionalidade portuguesa, no ano passado, por parte do oligarca próximo de Vladimir Putin e que durante longos anos foi o dono do clube de futebol londrino Chelsea. Não tendo obtido resposta, a associação realça que desde então várias reportagens “levantaram dúvidas fundadas sobre a veracidade das raízes sefarditas de Roman Abramovich” que tinham sido atestadas pela Comunidade Israelita do Porto e fundamentado a naturalização.

Na carta agora enviada a António Costa é reforçado o pedido para que o Governo “ateste a legalidade e lisura da atribuição da nacionalidade portuguesa” a Abramovich, defendendo-se que a documentação que supostamente prova a descendência sefardita é documentação histórica que “não está nem pode estar protegida por sigilo de dados pessoais”.

E, além do apuramento da eventual intervenção de Pedro Siza Vieira, então ministro da Economia, e António Costa Silva, que na altura era consultor do anterior Governo de António Costa, pede-se que “sendo ilegal ou fraudulento o processo de naturalização, como os dados recentes cada vez mais indiciam, seja urgentemente suscitada a nulidade do acto e retirado o passaporte português a Roman Abramovich”.

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