Patrizia Paradiso: a morte de ciclista grávida que está a gerar onda de indignação

Durante um passeio de bicicleta, Patrizia foi abalroada por um carro na Avenida da Índia, em Lisboa, no passado sábado. Já foi organizada uma vigília para dia 3 de Julho, para homenagear todas as vítimas mortais de acidentes com bicicletas, e várias associações manifestaram a sua revolta.



Chamava-se Patrizia Paradiso, tinha 37 anos, estava grávida de quatro meses e morreu em plena cidade de Lisboa, durante um passeio de bicicleta, abalroada por um carro na Avenida da Índia, no passado sábado. Uma onda de indignação instalou-se de imediato, tendo já sida organizada uma vigília, para dia 3 de Julho, “no local da colisão”, com o intuito de homenagear as vítimas mortais de acidentes deste género, com bicicletas.

“Podia ser eu, podias ser tu. Nem mais uma vítima. Vigília pelo fim dos atropelamentos na cidade!”: é este o lema que leva a organização a agendar esta vigília. “É comum o sentimento de insegurança na via pública devido ao excesso de velocidade praticado. Os utilizadores vulneráveis, pela sua condição, são quase sempre as vítimas da sinistralidade dentro da cidade”, é revelado na página do evento no Facebook, na qual é também descrito o que se vai suceder.

“Pessoas e bicicletas são convidadas a ocupar a estrada, usando as bicicletas para manter a distância de segurança exigida pela DGS [Direcção-Geral da Saúde]. Exigimos mais segurança para todas as pessoas nas estradas portuguesas, onde são atropeladas gravemente ou mortalmente centenas de pessoas todos os anos! A ocupação da via irá durar sensivelmente 30 minutos, e durante 20 minutos será pedido silêncio, numa homenagem a esta e a todas as vítimas de atropelamento”, pode ler-se.

A MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta fez a questão: “Até quando vamos permitir isto?” E lembrou o que aconteceu no passado, sublinhando que, em 2019, “morreram 26 utilizadores de bicicletas, registaram-se 106 feridos graves e 2104 feridos ligeiros”.

“Nesse mesmo ano [2019], 134 peões perderam a vida nas estradas portuguesas, a maioria dos quais por atropelamento; 409 ficaram gravemente feridos e contabilizaram-se 5180 feridos ligeiros. Os dados são da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR)”, escreveu a associação nas redes sociais.

Rosa Félix, ciclista e investigadora no Instituto Superior Técnico (IST), também fez uma publicação na sua página de Facebook, na qual contou como o acidente de Patrizia aconteceu.

“A Patri estava a dar uma volta de bicicleta com um amigo, quando um condutor idoso ficou encadeado pelo sol, não a viu, e numa fracção de segundo a tragédia aconteceu. A Patri era investigadora no IST, e tinha começado a andar mais de bicicleta com a pandemia. Andava super entusiasmada! Daquelas pessoas com todos os cuidados do mundo. Mas todo o cuidado é pouco, e o mais frágil acaba por ser o que paga”, escreveu, pedindo mais segurança e cuidados “de quem agarra um volante”.

“Ainda há muito por fazer, mas nada que não esteja ao alcance para que não haja mais vítimas”, concluiu.

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