Patriarcado de Lisboa sem esclarecer futuro de D. Manuel Clemente

Audiência privada com o Papa Francisco pode ter servido para o cardeal-patriarca de Lisboa colocar o lugar à disposição mas, oficialmente, não há nada a “acrescentar”. Encontro ocorreu após uma semana em que foram divulgadas denúncias de abusos sexuais de menores e de queixas de encobrimento dos casos pela Igreja Católica.



“O Patriarcado de Lisboa não tem nada a acrescentar em relação ao que já foi divulgado no comunicado acerca da audiência privada.” Foi desta forma lacónica que a instituição eclesiástica respondeu ao NOVO sobre se D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, tinha ou não colocado o seu lugar à disposição na audiência privada que pediu ao Papa Francisco, na passada sexta-feira.

O encontro foi divulgado pelo Patriarcado de Lisboa e, num curto comunicado, foi explicado que a audiência “realizou-se num clima de comunhão fraterna e num diálogo transparente sobre os acontecimentos das últimas semanas que marcaram a vida da Igreja em Portugal”.

Ora, os acontecimentos das últimas semanas reportam-se a várias denúncias de abusos sexuais sobre as quais não foi dado seguimento e que acabam também por colocar D. Manuel Clemente na mira das críticas de encobrimento no Patriarcado.

Segundo o Nascer do Sol, o cardeal-patriarca terá mesmo colocado em cima da mesa a renúncia ao cargo no encontro com o Papa e fonte próxima terá assegurado que se sentia “triste e agastado”. No Jornal de Notícias, uma fonte da Igreja afirmou que “não seria estranho se tivesse pedido para abandonar mais cedo as funções que ocupa”.

A 22 de Julho, D. Manuel Clemente afirmava que “Lisboa vai precisar de um bispo a condizer com a juventude”. O contexto da declaração era outro. Em causa estava o facto de atingir o limite de idade, os 75 anos. Na altura disse que seria cardeal-patriarca nas Jornadas Mundiais da Juventude, em 2023, mas, depois, “o futuro a Deus pertence e é preciso que eu lá chegue”.

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