Obras em hospital militar feitas por ex-salão de beleza e microempresa

Auditoria confidencial da Inspecção-Geral da Defesa critica derrapagem milionária em gastos na renovação do antigo Hospital Militar de Belém e aponta para ajustes irregulares feitos à pressa. Ao NOVO, um dois principais empreiteiros não descarta má gestão do Estado.

Era para custar 750 mil euros (sem IVA), mas acabou a superar os três milhões de euros. A derrapagem de mais de dois milhões de euros nas obras do antigo Hospital Militar de Belém, alvo de uma auditoria confidencial conduzida pela Inspecção-Geral da Defesa Nacional, é composta por vários ajustes directos feitos pelo ex-director-geral de Recursos de Defesa Nacional, Alberto Coelho, sem todos os procedimentos formais de aval do Governo – e os primeiros dois milhões pertencem à TRXMS – Gestão, Manutenção e Serviços a Empresas, Lda., empresa que outrora foi um salão de beleza, e à Welbauen Engenharia e Construções, Lda, que só tem registados dois trabalhadores.

A história é contada na íntegra na edição imprensa do NOVO desta semana. Enquanto a TRXMS não tece qualquer comentário, afirmando que “a questão em apreço está a ser objecto de apreciação junto da comissão parlamentar, com vista a aferir-se acerca de eventuais irregularidades ou ilegalidades”, a Welbauen Engenharia e Construções, Lda. esclarece que “recorre à subcontratação”. “É a única forma de sermos competitivos, porque assim não temos os custos do peso de uma estrutura. Somos uma empresa pequena”, justifica o sócio-gerente Pedro Morais Monteiro ao NOVO.

Contudo, o empresário da Welbauen não põe as mãos pelo Estado. “Eu não sou dono da obra. Se o Estado decide fazer uma obra maior, essa não é a minha responsabilidade”, escuda-se o empresário. “Como cidadão, gostaria que os meus impostos fossem bem aplicados. Custa ver derrapagens da TAP e das bancas, por exemplo. E olhe que posso estar a falar à vontade, não voto em quem lidera o país.”

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