Nove em cada dez portugueses têm “baixo consumo cultural”

Inquérito nacional sobre hábitos de consumo de Cultura dos portugueses, em particular nos 12 meses anteriores à pandemia de covid-19, concluiu que, na altura do inquérito realizado, “93% do total dos inquiridos se encontravam na categoria de ‘baixo consumo cultural’”, de actividades como teatro, ballet, dança, ópera, cinema, circo, concertos, festivais e festas locais.



Nove em cada dez portugueses revelaram ter, antes da pandemia, um “baixo consumo” de actividades culturais, e os chamados “omnívoros culturais” são sobretudo jovens ou com rendimentos mais elevados

Os dados constam do estudo “Práticas culturais dos portugueses”, divulgado esta quarta-feira e feito pelo Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa, a pedido da Fundação Calouste Gulbenkian, a partir de um inquérito nacional sobre hábitos de consumo de Cultura dos portugueses, em particular nos 12 meses anteriores à pandemia de covid-19.

Segundo os coordenadores do trabalho, os investigadores José Machado Pais e Pedro Magalhães e o ex-programador cultural Miguel Lobo Antunes, um dos objectivos do estudo é permitir “discutir o que as políticas públicas têm vindo a fazer, o que ainda podem desenvolver, e aferir sobre os circuitos de criação e difusão que as sustentam”.

O estudo concluiu que, na altura do inquérito realizado, “93% do total dos inquiridos se encontravam na categoria de ‘baixo consumo cultural’”, de actividades como teatro, ballet, dança, ópera, cinema, circo, concertos, festivais e festas locais.

“Historicamente, o sector cultural não foi um pilar central no pós-25 de Abril, depois do longo período de ditadura, pelo que a democratização cultural tem ainda um longo caminho a percorrer”, sustentam os autores do estudo.

Para explicar os hábitos de consumo dos portugueses, recorreram aos termos “omnívoro” e “unívoro” cultural para falar dos consumidores que “apresentam uma orientação cultural mais diversificada” e dos que demonstram “uma menor frequência nas práticas culturais”.

Segundo o estudo, os consumidores omnívoros “são mais vezes estudantes e trabalhadores, com os rendimentos do agregado familiar mais elevados; e, em termos de classe socioprofissional, identificamos um eco mais forte de omnivorismo nos profissionais socioculturais”.

Por outro lado, os consumidores unívoros são sobretudo os inquiridos a partir dos 65 anos, que se identificam mais frequentemente como “domésticos não remunerados ou reformados”, e com níveis de escolaridade mais baixos.

A ida ao cinema, com uma resposta positiva de 41% dos inquiridos, foi a actividade cultural com maior taxa de participação dos portugueses, nos 12 meses anteriores ao início da pandemia.

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