Médicos católicos exige que partidos revelem posição sobre eutanásia

Associação pede que forças políticas permitam “a realização de um referendo, caso isso venha a ser legalmente solicitado pelos cidadãos”, e que clarifiquem “a posição política sobre a objecção de consciência”.



A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) exige que os partidos concorrentes às eleições legislativas de 30 de Janeiro a divulgarem publicamente a sua posição sobre a eutanásia, defendendo que o tema foi debatido pelos deputados sem que estes tenham sido mandatados pelos portugueses.

Em comunicado, a AMCP - associação fundada em 1915, com estatutos aprovados pela Conferência Episcopal Portuguesa e com associados em todo o país, sendo presidida pelo cardiologista pediátrico José Diogo Ferreira Martins - pede também que as forças políticas permitam “a realização de um referendo, caso isso venha a ser legalmente solicitado pelos cidadãos” e que clarifiquem “a posição política sobre a objecção de consciência e se irão ter algum tipo de iniciativa legislativa sobre esta matéria”.

Para os médicos católicos, é “importante que os partidos políticos digam claramente ao que vão”, pois consideram que “nas duas anteriores legislaturas, muito para além do que estava explicitado nos programas eleitorais, os deputados discutiram assuntos para os quais não tinham sido mandatados pelos portugueses, nomeadamente a eutanásia, a ideologia de género ou a inseminação post-mortem”.

A associação acusa ainda o Parlamento de não ter permitido “que se desse seguimento a uma das maiores petições populares aí submetidas, que solicitava a realização de um referendo popular para esta questão de consciência”.

“Não só a Assembleia da República resolveu legislar sobre assuntos para os quais não tinha legitimidade moral, como arrogantemente sabotou uma tentativa do povo em mostrar a sua vontade”, acrescentam os signatários do documento, defendendo que “a eutanásia é um assunto demasiado grave para que os partidos políticos não tenham uma posição definida. Diminuir a abstenção também passa por explicar aos portugueses que o seu voto poderá apoiar a vida, ou legitimar a morte induzida”.

Ler mais
PUB