Máscaras em todos os espaços fechados, testes para entrar em discotecas e estádios e teletrabalho recomendado. Aulas começam mais tarde

António Costa apresentou as novas medidas de combate à pandemia de covid-19, com o objectivo de travar o aumento de casos e de óbitos registado nos últimos dias. Portugal entra em estado de calamidade a 1 de Dezembro.



O primeiro-ministro, António Costa, anunciou, esta quinta-feira, que o Governo vai reforçar o esforço de vacinação contra a covid-19, que as máscaras passam a ser obrigatórias em espaços fechados e os testes (PCR ou antigénio) necessários em discotecas e estádios. Além disso, o regresso às aulas será adiado para 10 de Janeiro. Estas medidas pretendem travar a pandemia de covid-19 no país, numa altura em que se regista um crescimento das taxas de incidência e de transmissão (Rt) da covid-19.

O país volta a entrar em estado de calamidade a 1 de Dezembro, para o Governo ficar habilitado a adoptar medidas que sejam consideradas adequadas e proporcionais ao momento que se vive.

Até 19 de Dezembro, o Executivo quer que estejam vacinadas as pessoas com mais de 65 anos e que receberam a segunda dose há mais de cinco meses, quem é aconselhado por prescrição médica, quem já recuperou da doença há mais de 150 dias e quem tem mais de 50 anos e recebeu a Jasen há mais de cinco meses. O objectivo é que todos estes grupos estejam vacinados até 19 de Dezembro. “Vacinação tem permitido salvar vidas, diminuir número de infectados e que os infectados tenham uma doença com menor gravidade”, declarou António Costa. Foi também revelado que o Governo está preparado para vacinar as crianças elegíveis com a Pfizer, chegando as primeiras vacinas para os menores entre os 5 e os 11 anos a 20 de Dezembro.

”Não obstante o sucesso de vacinação e o esforço para prosseguir este processo, temos que ter consciência que estamos a entrar numa fase de maior risco”, alertou o primeiro-ministro, antes de avançar com as outras medidas decididas no Conselho de Ministros desta quinta-feira, realizado após o Governo ouvir todos os partidos com assento parlamentar.

“Sempre que possível, devemos fazer autotestes”, apelou Costa, reforçando essa necessidade para o período das Festas. O teletrabalho também passou a ser recomendado novamente.

As máscaras passam a ser obrigatórias em todos os espaços fechados que não sejam não excepcionados pela Direcção Geral de Saúde. O certificado digital, “agora, sensivelmente universal”, passa a ser exigido para frequentar restaurantes, estabelecimentos turísticos e hoteleiros, para eventos com lugares marcados e ginásios.

O recurso a testes vai ser obrigatório em visitas aos lares - não havendo qualquer medida que restrinja estes momentos-, nas visitas aos hospitais e em todos os grandes eventos sem lugares marcados ou em recintos improvisados e recintos desportivos, discotecas e bares.

Vai ser também obrigatório ter teste negativo para voos que cheguem a Portugal. “Seja qual for o ponto de origem e a nacionalidade do passageiro”, detalhou o primeiro-ministro.

De 2 a 9 de Janeiro, o país enfrentará medidas excepcionais: o recomeço das aulas de todos os graus de ensino público e privado será adiado para 10 de Janeiro (com o respectivo acerto no calendário escolar), as discotecas e os bares estarão encerradas e o teletrabalho será obrigatório.

Os espaços de convívio nocturno irão ser compensados por este período de encerramento. Já os apoios aos pais ainda não estão garantidos. “É algo que está a ser avaliado pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, tendo em conta, insisto, que estes cinco dias serão compensadas no período de interrupção lectiva no Carnaval e na Páscoa”, explicou António Costa.

Portugal saiu do “estado de emergência” a 30 de Abril, entrando em estado de calamidade no final de Agosto. O desconfinamento foi feito gradualmente, mas a situação epidemiológica do país - idêntica ao que se vive no resto da Europa - levou a um novo apertar das medidas.

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