Marta Temido: solução para a falta de médicos é contratar profissionais “mais resilientes”

Ministra da Saúde considera que capacidade de resistência e resiliência é tão importante para avançar para a contratação como as capacidades técnicas dos profissionais de saúde. Sindicato Independente dos Médicos diz que ministra passou “linha vermelha”.



A ministra da Saúde, Marta Temido, defendeu, esta quarta-feira, que a resiliência deve ser uma das características que deve ser tida em conta na altura de contratar profissionais de saúde. A afirmação foi feita durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde sobre o Centro Hospitalar de Setúbal e quando se abordava a falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“É bom que todos nós, como sociedade, pensemos nas expectativas e na selecção destes profissionais. Porque, por ventura, outros aspectos, como a resiliência, são aspectos tão importantes como a sua competência técnica. Estas profissionais que exigem uma grande capacidade de resistência, de enfrentar a pressão e o desgaste e temos que investir nisso”, declarou a governante, assumindo que é impossível os médicos cumprirem o limite de horas extraordinárias. O limite máximo anual do trabalho extraordinário no SNS é de 150 horas, sendo que há profissionais que fazem quatro vezes esse valor.

Para o Sindicado Independente dos Médicos (SIM), as palavras de Marta Temido “ultrapassaram qualquer linha vermelha que pudesse ter sido traçada”. “Afirmar que têm de ser contratados médicos mais resilientes é uma imperdoável ofensa que os médicos portugueses, exaustos por centenas de horas extraordinárias ( já agora, sendo obrigatórias... em exemplo não reproduzível em toda a administração pública) não mais perdoarão e esquecerão”, pode ler-se no comunicado do secretariado nacional do sindicato liderado por Roque da Cunha.

No mesmo comunicado dirigido à ministra, o SIM diz que os médicos não querem ver aumentado o valor do trabalho extraordinário, “mas ter uma remuneração base digna e condizente com a sua responsabilidade, com a sua diferenciação, com a penosidade do seu trabalho”.

“O Sindicato Independente dos Médicos enquanto instituição, e os seus dirigentes, são bem educados. Algo que não se poderá dizer da Dr.ª Marta Fartura Temido. Daí que nada mais seja dito aqui e agora”, conclui o sindicato.

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