Maçonaria vai mudar de líder. Há três candidatos ao lugar de grão-mestre

Eleições estão marcadas para dia 30 de Outubro e programas eleitorais prometem uma comunicação mais eficaz e rigor nas admissões. Ex-ministros e antigos dirigentes socialistas envolvidos na luta pela liderança do GOL.



A campanha eleitoral para a liderança do Grande Oriente Lusitano (GOL), a mais antiga obediência maçónica em Portugal, já arrancou. As eleições estão marcadas para dia 30 de Outubro e os candidatos são Carlos Vasconcelos, que pertence à equipa do actual grão-mestre, Luís Parreirão, antigo deputado do Partido Socialista, e Fernando Cabecinha, ex-presidente do parlamento maçónico.

Carlos Vasconcelos, 43 anos, o mais novo dos candidatos, representa a continuidade em relação ao projecto de Fernando Lima, que ocupa o cargo há dez anos. A prioridade é melhorar a comunicação da maçonaria com a sociedade. “Tem existido uma certa normalização desse relacionamento, mas uma parte importante da sociedade portuguesa continua a percepcionar com reservas ou até de forma negativa a maçonaria em geral”, diz o candidato, numa conversa telefónica com o NOVO.

Por isso, acrescenta o actual grão-mestre adjunto, “importa garantir uma comunicação cada vez mais eficaz para que a sociedade portuguesa compreenda ainda melhor o que é a maçonaria, qual é a sua natureza, o que faz e para que serve”. Vasconcelos garante que, se for eleito, vai ter uma “preocupação central com a realização de obra social” e “uma maior abertura às novas gerações”.

Rigor nas admissões

No programa que apresentou aos maçons, com o lema “Um Novo Impulso”, o advogado natural de Guimarães defende que a maçonaria deve ser “mais rigorosa e exigente consigo própria” e praticar “uma cultura de exigência e de rigor nas admissões”.

Fernando Cabecinha, gestor de empresas e ex-presidente da Grande Dieta [o parlamento maçónico], também promete “aprimorar a qualidade da selecção dos candidatos”, perspectivando “o rejuvenescimento dos seus quadros”.

Cabecinha, que anunciou a candidatura no dia 25 de Abril, em nome da mudança, assume no programa de candidatura, a que o NOVO teve acesso, que “a imagem percebida da maçonaria e do maçom é muito negativa”. O objectivo deste candidato é, no espaço de dez anos, “tornar a importância da maçonaria inquestionável”. Fernando Cabecinha, que entra na corrida com o lema “Pelo orgulho em ser maçom”, propõe “credibilizar o GOL junto da opinião pública e da sociedade” e “tomar posição relativamente a assuntos da sociedade, salvaguardando a oportunidade e conveniência face aos valores maçónicos”.

Socialistas estão divididos

O terceiro candidato é Luís Parreirão. Foi secretário de Estado da Administração Interna e das Obras Públicas nos governos de António Guterres e deputado do PS na Assembleia da República, e conta com o apoio de alguns socialistas, como o antigo presidente da Câmara de Lisboa e ex-ministro da Cultura, João Soares. “É o candidato a grão-mestre da maçonaria portuguesa GOL que apoio, como velho maçom que sou”, escreveu o ex-deputado socialista nas redes sociais, há cerca de um mês.

A candidatura de Parreirão está a ser vista como uma tentativa do PS para recuperar poder na maçonaria. A instituição já foi liderada por destacados socialistas, como António Arnaut, entre 2002 e 2005, ou António Reis, entre 2005 e 2011. Carlos Vasconcelos, próximo do PSD, também conta com apoios de conhecidos militantes, como Rui Pereira, mandatário da candidatura e ex-ministro da Administração Interna, ou Álvaro Beleza, que pertenceu à direcção liderada por António José Seguro e actualmente é presidente da SEDES. António Reis, ex-grão-mestre, também já declarou apoio a Carlos Vasconcelos. “Há militantes socialistas em todas as candidaturas”, diz ao NOVO um maçom envolvido nesta campanha.

A proposta do militante socialista é unir “o que anda disperso”. Num documento enviado aos maçons, Luís Parreirão define como objectivo afastar “inúteis factores de polémica e divisão que nos têm enfraquecido”. A ideia é envolver “todos” na tarefa de unir a maçonaria.

Fernando Lima bate recorde

Fernando Lima despede-se depois de dez anos à frente do GOL. Foi o primeiro, a seguir ao 25 de Abril, a cumprir três mandatos, e acabou por ficar mais tempo devido à pandemia. Na maçonaria não há limitação de mandatos, mas o actual grão-mestre foi alvo de críticas internas por assumir o cargo durante tanto tempo.

Os apoiantes do actual dirigente garantem que conseguiu dar mais visibilidade à instituição e uma maior abertura na ligação com a sociedade portuguesa. Numa intervenção interna, que serviu para fazer um balanço do mandato, Fernando Lima garantiu que estão criadas as condições para que a maçonaria entre “agora numa fase de crescimento e consolidação, há muito desejada, mas sempre adiada”.

OS CANDIDATOS

Carlos Vasconcelos

Carlos Vasconcelos é grão-mestre adjunto do Grande Oriente Lusitano (GOL) e representa a continuidade da liderança exercida por Fernando Lima. Natural de Guimarães, Vasconcelos é advogado e o mais novo dos candidatos à chefia da maçonaria. Tem como adjuntos Luís Natal Marques, presidente da EMEL, e António Ventura, professor catedrático.

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Luís Parreirão

Luís Parreirão foi secretário de Estado da Administração Interna e das Obras Públicas nos governos de António Guterres e deputado do Partido Socialista na Assembleia da República entre 1999 e 2002. Natural da Figueira da Foz, o candidato à liderança do GOL foi, nessa altura, dirigente do PS e presidente da Federação Distrital de Coimbra. António Graça e Américo Figueiredo são os candidatos a adjuntos.

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Fernando Cabecinha

Fernando Cabecinha foi presidente da Grande Dieta [o parlamento maçónico]. É gestor de empresas e exerceu cargos de direcção no Instituto do Emprego e Formação Profissional durante vários anos. Foi número dois de Fernando Lima durante o tempo em que o grão-mestre do GOL liderou a empresa Galilei (antiga Sociedade Lusa de Negócios). Os candidatos a adjuntos são João Marcos e Carlos Nunes.

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