Incêndios de 2017: ainda há gente à espera de casa e uma ministra na mira das vítimas

Quatro anos após os fogos que mataram 50 pessoas no Pinhal Interior, as populações ainda se queixam das centenas de casas por reconstruir. A ministra Ana Abrunhosa, que à data era presidente da CCDRC, é acusada de ter adjudicado obras por preços exorbitantes Empreiteiros utilizaram entulho e mármore de cemitérios em inúmeras habitações.



Na zona do Pinhal Interior ainda há vítimas do grande incêndio de 15 de Outubro de 2017 a viver em caravanas. Umas não têm casa, outras não têm esgoto na nova habitação. Entre paredes de pladur, há quem nem possa acender a lareira sem destruir a sua “casa de papel”. Em Seia, o chão das salas foi enchido com entulho do cemitério. Na terra que ainda tresanda a queimado, as pessoas dizem que cheira sobretudo “a corrupção” e apontam o dedo à anterior responsável máxima da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), a agora ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

A CCDRC, agora liderada por Isabel Damasceno, garante ao NOVO que 848 casas tiveram enquadramento no programa de recuperação, “envolvendo um valor de 59,74 milhões de euros” e acrescenta que “faltam apenas concluir três habitações”. Nuno Pereira, fundador do Movimento Associativo de Apoio às Vítimas de Incêndios de Midões (MAAVIM) contrapõe dizendo que “é um escândalo porque faltam centenas de casas, além da recuperação da floresta, que terá custado 200 milhões ao Governo, mas quase nada se vê feito”.

Enquanto isso, igualmente contactada pelo NOVO, Ana Abrunhosa, que encabeçava até 2019 o organismo incumbido da gestão dos processos de recuperação - e deveria responder sobre os casos que ficaram mal resolvidos ou por resolver de todo - e que é visada por muitas das vítimas que o NOVO ouviu nos territórios atingidos pelas chamadas permanece em silêncio. Tal como aconteceu com as fraudes de Pedrógão Grande - hoje em julgamento -, a governante deixa para terceiros os esclarecimentos.

São assim às dezenas as histórias de sofrimento pessoal e familiar que aguardam justiça e que o NOVO dá a conhecer na reportagem publicada na edição desta sexta-feira, através uma rota pelos concelhos de Vila Nova de Poiares, Oliveira do Hospital e Tábua.

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