IGAI não recua e reafirma que Sporting não respondeu a inquérito sobre festejos do título

Após críticas dos leões, MAI questionou a Inspecção Geral da Administração Interna sobre os resultados da inspecção à festa do clube de Alvalade. Mas não houve nenhuma alteração à versão já divulgada.



A Inspecção Geral da Administração Interna (IGAI) assegurou que “confirma na íntegra o teor do relatório” sobre a intervenção da Polícia de Segurança Pública nos festejos do título de campeão nacional de futebol do Sporting a 11 de Maio, não havendo qualquer recuo apesar das críticas dos leões.

Após o clube de Alvalade ter contestado as declarações de Eduardo Cabrita, que acusou o Sporting de não ter colaborado com a IGAI, o MAI questionou este organismo relativamente a algumas passagens do documento que procurou apurar responsabilidades sobre a festa do título.

“Na página 11 do relatório da IGAI é referido que ‘nenhuma das informações solicitadas ao SCP foram remetidas aos autos do inquérito, até ao seu encerramento’, enquanto na página 15 é escrito que ‘não foi satisfeito’ o pedido de remessa de documentação relativa à acção interposta pelo SCP contra as associações Juventude Leonina e Directivo ultra XXI”, lê-se no comunicado enviado às redacções. “Em resposta a este pedido [ndr: de esclarecimento do MAI], a IGAI ‘confirma na íntegra o teor do relatório’ divulgado na passada sexta-feira”, avança-se igualmente.

“A publicação do relatório por parte da IGAI, com salvaguarda dos dados pessoais nos termos legalmente aplicáveis, assegura a transparência pretendida pelo Ministério da Administração Interna neste processo”, conclui o MAI.

O Sporting sagrou-se a 11 de Maio campeão português de futebol pela 19.ª vez, 19 anos após a última conquista, e durante os festejos ocorreram confrontos entre os adeptos e a polícia. Milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio e em algumas ruas de Lisboa, quebrando as regras da situação de calamidade devido à pandemia de covid-19, em que não são permitidas mais de 10 pessoas na via pública, nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua. A maioria dos adeptos não cumpriu também com as regras de saúde pública ao não respeitar o distanciamento social, nem o uso obrigatório de máscara.

Na apresentação do referido inquérito, a 16 de Julho, Eduardo Cabrita assegurou que “o Sporting Clube de Portugal não respondeu a qualquer dos pedidos de esclarecimento feitos pela IGAI”. Segundo o ministro, no âmbito deste inquérito à actuação da PSP, foram feitas diligências junto de um “número muito variado de instituições” e “todas responderam e colaboraram com a Inspecção-geral”, com excepção do clube campeão nacional. “Sendo objecto do inquérito a actuação da PSP nas celebrações do Sporting regista-se a ausência de cooperação por parte do Sporting Clube de Portugal às solicitações feitas pela IGAI”, precisou o governante.

Na resposta, os leões rejeitaram contundentemente as acusações. “Não concebendo o Sporting Clube de Portugal qualquer possibilidade alternativa de tentativa de desvio de atenção ou responsabilidade sobre este, ou qualquer outro, tema da actualidade, é lamentável o profundo desconhecimento que o ministro revela dos factos sucedidos, que resultaram na transmissão à esfera pública de informações que, em nada, correspondem ao realmente sucedido”, escreveram os leões em comunicado.

Na nota, o Sporting frisou não haver dúvida de que o plano executado na celebração do título “foi resultado de uma proposta discutida, aceite e planeada por todas as partes, sendo que, inclusive, a proposta original não surge por parte do Sporting CP”. Na sua justificação, o Sporting referiu ter, semanas antes da conquista do troféu, entrado em contacto com o Ministério da Saúde e, mais tarde, por sugestão deste, com o próprio Ministério da Administração Interna: “Durante três semanas, o Sporting CP tentou sensibilizar o Governo para a eventualidade da conquista e consequente comemoração espontânea popular.”

“Assim que foi possível por parte do Ministério da Administração da Interna, o Sporting CP prontificou-se a estar presente em reunião com as autoridades competentes. Em reunião presencial no Ministério da Administração, onde estiveram os chefes de gabinete do próprio ministro da Administração Interna, do secretário de estado adjunto da Administração Interna, da ministra da Saúde, representantes do COMETLIS/PSP, da DN/PSP, da DGS e da CML, foi desenhado, em plena colaboração e acordo entre todas as partes, o plano executado”, relatou-se.

O Sporting acrescentou que foram abordados vários cenários com as autoridades, entre as quais a possibilidade de comemoração exclusivamente no interior do estádio, proposta descartada, até por ser contrária, à data (7 de Maio), às regras sanitárias vigentes.

Segundo o Sporting, aquela opção foi ainda descartada por outros dois factores: primeiro devido à dimensão da massa associativa e pela importância que se revestia a comemoração, que levava a crer que a celebração não se concentraria num só local, e, num segundo ponto, o objectivo consistia em dispersar a multidão e não a concentrar num só lugar. “Os presentes na reunião concordaram que a presença de público no estádio não era uma solução para a questão de fundo. Por isso, importa também relembrar que no final dessa mesma reunião de 3:30 horas, e dado o impasse verificado quanto à autorização ou não de festejos oficiais no exterior, o Sporting CP reforçou a todos os presentes que o clube iniciou as diligências no sentido de receber indicações sobre possíveis festejos três semanas antes daquela data”, prosseguiu-se.

O Sporting lembrou ainda que “foi apenas ao início da tarde de sábado (dia 8 de Maio), que o Sporting CP recebeu autorização ‘oficiosa’ do MAI para preparação dos festejos, ou seja, do cortejo dos autocarros com os jogadores, iniciando-se aí os contactos entre o Sporting CP, a PSP e a Câmara Municipal (CML) para a operacionalização dos mesmos”.

“Em virtude de tudo o referido anteriormente, é proposto por outra entidade, que não o Sporting CP, a alternativa de criar um circuito pela cidade que fosse de encontro a este propósito, e não ao da concentração. Circuito que foi unanimemente aceite por todos os envolvidos”, acrescentou o Sporting, negando que a iniciativa de realização de manifestação junto ao estádio não teve qualquer participação do clube.

Os leões adiantaram que participaram nas reuniões “de forma colaborativa”, reforçando que “não é o Sporting CP que impõe regras à DGS, PSP, Ministério da Administração Interna ou ao Governo”. “É por isso também lamentável que o ministro Eduardo Cabrita afirme que o Sporting CP não respondeu a qualquer pedido de esclarecimento feito pela Inspecção-geral da Administração Interna (IGAI). É lamentável e não corresponde à verdade”, defenderam os responsáveis verde-e-brancos.

O Sporting acrescentou ter recebido um ofício da IGAI em 21 de Maio, “sem indicação de prazo de resposta” e revela ter dado resposta a esse ofício em 9 de Julho. “No dia 1 de Junho de 2021, a IGAI contactou o Oficial de Ligação aos Adeptos (OLA) do Sporting CP. No dia 14 de Junho, o IGAI insistiu por uma resposta e a mesma foi enviada nesse dia por parte do nosso OLA. No dia 17 de Junho, o Director de Segurança do Sporting CP prestou declarações durante duas horas perante três inspectores, após convocatória do MAI no âmbito do dito inquérito”, enumerou o Sporting.

Os leões referiram ainda que “o relatório da IGAI deu entrada no MAI no dia 12 de Julho, que era a data apontada na própria comunicação social para o encerramento do inquérito, não fazendo nota destas respostas do clube. Ou seja, não só o Sporting CP prestou informação directamente, como o fez através do seu director de segurança e do seu OLA”.

A finalizar, o Sporting afirmou estar “na posse de toda a informação e testemunhas que podem atestar cabalmente o supra referido, não aceitando de forma alguma que, mesmo não existindo intenção, a falta de conhecimento possa sobrepor-se à verdade dos factos, muito menos tendo em conta a responsabilidade inerente ao cargo de quem as profere, e em quem todos os cidadãos portugueses depositam a maior confiança e rigor”.

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