Governo retira palavra dada sobre 80 mil toneladas de resíduos abandonados em Setúbal: “Não são perigosos”

O Millenium bcp, actual proprietário dos terrenos onde os resíduos foram abandonados, deve solucionar a questão ambiental até Dezembro.



A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) deu o seu último parecer sobre 80 mil toneladas de resíduos abandonados em Setúbal, na zona de Vale da Rosa, classificando-os como não perigosos, após avaliar as conclusões de um estudo da Universidade do Minho.

Uma avaliação contrária ao parecer de 2020, corroborado pelo Ministério do Ambiente, e que leva o presidente da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, Francisco Ferreira, a requer à agência governamental não só acesso ao estudo da Universidade do Minho, como ao parecer final.

Através de uma carta oficial, à qual o NOVO teve acesso, Francisco Ferreira declara que a ZERO está “preocupada com esta informação, até porque os três estudos até agora realizados sobre estes resíduos (ZERO, eGiamb - Consultoria Geoambiental para o Millennium bcp e estudo da APA) indicam claramente que os resíduos são perigosos”, conforme explica na edição impressa desta semana.

Depositados em 9 500m2 do Vale da Rosa, ilegalmente, pelo menos desde 2004, os resíduos haviam sido classificados pela Agência Portuguesa do Ambiente, de acordo com a Lista Europeia de Resíduos, como “escórias de alumínio” e “minério empobrecido de manganês”, com elevada concentração de arsénio. E, segundo esta entidade, das as suas caracteristicas apenas tinham apenas como destino possível “um aterro de resíduos perigosos”.

Informação que deixava o Millenium bcp a braços como uma conta ambiental milionária que considerava “injusta”, enquanto proprietário dos terrenos apenas desde 2017, depois de os ter herdado da Pluripar, empresa do Grupo Banco Português de Negócios que ficou insolvente.

A ser cobrada, a conta rondaria os “10 milhões de euros, tendo como valor base 100,00 euros por cada tonelada transportada para aterro de resíduos perigosos e os custos da recuperação dos solos no local do depósito ilegal”, explicou ao NOVO Rui Berkemeier, engenheiro do ambiente e especialista em gestão de resíduos ao serviço da ZERO, numa reportagem publicada a 23 de Julho pelo semanário. Valor que agora será “consideravelmente mais baixo”.

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