“Fica-nos, na memória, o homem do mundo”. As reacções à morte de Jorge Sampaio

Antigo chefe de Estado morreu esta sexta-feira aos 81 anos. Várias figuras públicas reagem e homenageiam “um nome cheio da nossa gratidão”.



O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu esta sexta-feira aos 81 anos. Chefe de Estado entre 1996 e 2006, Sampaio estava de férias com a família no Algarve quando acabou internado por dificuldades respiratórias no Hospital de Portimão. Foi transportado de helicóptero para o Hospital de Santa Cruz, onde acabou por falecer. As reacções à sua morte não tardaram em surgir.

“Fica-nos, na memória, o homem do mundo, o combatente pela democracia, o líder do PS, o presidente de Camara Municipal e o Presidente da República reeleito, que honrou esses cargos e se distinguiu pela sua coerência, pelas suas convicções firmes, pelo seu rigor ético, pela compreensão dos grandes desafios da Humanidade e do País e pela sua generosidade e sensibilidade social. Homens como Jorge Sampaio fazem muita falta na Política. Mas, mais do que o luto institucional, toca-me a tristeza da morte de uma pessoa amiga. Sempre atenta, disponível e solícita. Devo-lhe, em muito, a estabilidade e o sucesso que envolveram o meu primeiro mandato como presidente do Governo dos Açores, depois da eleição em 1996. E, sempre que lhe pedi, a sua ajuda e o seu conselho”, escreveu no Facebook o presidente do Partido Socialista, Carlos César.

Numa declaração ao país, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou a serenidade de Jorge Sampaio na sua “luminosa inteligência” e enalteceu o facto de ter escolhido o caminho mais ingrato ao invés de se ter “resignado ao caminho mais fácil do jurista respeitado”.

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, lamentou a partida do antigo chefe de Estado através de uma nota publicada no site do Parlamento. “Se perdi hoje um amigo de longa data, com quem tive o privilégio de partilhar sucessos e insucessos nesta constante luta pela Liberdade e pela Democracia, Portugal perdeu um dos seus mais prestigiados cidadãos, que sempre serviu o seu país com distinção e honra”, escreveu, enaltecendo a “visão progressista” e o “forte dever cívico” de Sampaio.

Por parte do Grupo Parlamentar do PS, as palavras foram deixadas através do Twitter: “Até sempre, Jorge Sampaio! 81 anos de uma vida dedicada aos valores da Liberdade, da Democracia e do Humanismo. Obrigado pelo exemplo de cidadania”.

Também a deputada socialista Isabel Moreira homenageou o antigo Presidente da República, para quem pediu que se faça silêncio. “Até sempre querido Presidente. Jorge Sampaio. Um nome cheio da nossa gratidão”, escreveu no Facebook.

João Soares, socialista que foi o número dois da Câmara de Lisboa quando Jorge Sampaio liderou a autarquia, lembrou um “amigo e camarada”, a quem deixou um testemunho de pesar. “O orgulho de com ele ter estado no combate pioneiro da unidade da esquerda em Lisboa. Que derrotou a direita unida atrás de Marcelo Rebelo de Sousa. Sentidos pêsames à sua família”, escreveu.

Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, deixou as suas palavras a “um homem livre, culto e generoso”. “Um democrata elegante com um profundo sentido de Estado. Tal como referiu, não há muito tempo (DN 2019), “é preciso não esmorecer” na luta pelos valores, pela dignidade humana e pela justiça social”, afirmou também nas redes sociais.

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, manifestou “mágoa” pela morte de Sampaio, assegurando ter uma “profunda admiração” pelo antigo chefe de Estado. Relembrando um “extraordinário e exemplar português”, Gomes Cravinho disse não caber “num ‘tweet’, nem a mágoa da perda nem a profunda admiração”.

Também o antigo primeiro-ministro Durão Barroso recordou Jorge Sampaio, uma “personalidade realmente empenhada nas causas da democracia”. Primeiro-ministro entre 2002 e 2004, durante a presidência de Sampaio, deixou funções para assumir a presidência da Comissão Europeia.

A socialista Elisa Ferreira, comissária europeia da Coesão e Reformas, afirmou-se “desolada” e recordou o antigo Presidente da República como “exemplo de civismo, integridade e coragem, desde os tempos das lutas estudantis até ao mais alto cargo da nação”.

Também o presidente do Parlamento Europeu reagiu à morte de Jorge Sampaio. Numa mensagem publicada no Twitter, David Sassoli relembrou “uma referência para a social-democracia e para os defensores do Estado de direito”.

A porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, lamentou a morte de Jorge Sampaio, que deixou “um legado histórico”.

Através de uma nota publicada no site oficial, o Sporting manifestou pesar pela morte do Antigo Presidente da República.

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