Festejos do Sporting. Cabrita diz que não cabe ao MAI definir modelo de celebrações

Ministro esteve no Parlamento para falar da festa dos sportinguistas após a conquista do campeonato e defendeu que a audição “prova o desespero do PSD”.



Uma audição “verdadeiramente da época passada”. Foi com uma analogia futebolística que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, adjectivou a ida ao Parlamento a pedido do PSD para falar sobre os festejos do Sporting como campeão, a 11 de Maio de 2021. “É uma audição “sui generis”, que prova o desespero do PSD e a ausência de justificação para esta audição verdadeiramente da época passada”, declarou o ministro na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Aos deputados, o MAI reconheceu que, numa avaliação geral, “os festejos não correram bem”. No entanto, defendeu que “não compete à PSP” definir qualquer modelo de celebração, mas sim garantir a segurança dos eventos. “A PSP não pode dizer que o 1.º de Maio não é na Alameda, é noutro sítio qualquer, ou que o Avante! não é no Seixal, é noutra localidade qualquer. Não é competência da PSP, mas também não é do Ministério da Administração Interna”, disse, frisando considerar que as forças de segurança fizeram aquilo que “era adequando num quadro particularmente difícil”.

Eduardo Cabrita defendeu ainda ser “perfeitamente legítimo” que a polícia tenha defendido outro modelo para as celebrações dos sportinguistas, mas voltou a esclarecer que a PSP não podia “forçar que a iniciativa se realizasse dentro da instalação de uma entidade, que não queria fazer essa iniciativa”.

O MAI rejeitou ainda qualquer relação entre os festejos do título do clube de Alvalade e o aumento do número de casos de covid-19 em Portugal na altura. “Não resulta nenhuma correlação demonstrada entre este evento e aquilo que foi o crescimento a partir de Junho/Julho do número de novos casos relacionados com a variante Delta”, frisou Cabrita, acusado de “lavar as mãos” da culpa pelo deputado do PSD Duarte Marques.

“Fica a sensação de que o senhor ministro lava as mãos como Pilatos desta responsabilidade. O senhor ministro delegou na Câmara de Lisboa a decisão sobre os festejos do Sporting, o senhor ministro ignorou os avisos da PSP, o senhor ministro ignorou os avisos da DGS [Direcção-Geral da Saúde] e preferiu deixar que a festa continuasse sem qualquer controlo”, acusou o social-democrata, que apelidou o governante de “incompetente”.

Na resposta, Cabrita voltou a insistir que “não cabe ao Ministério da Administração Interna organizar a Festa do Avante!, o 1.º do Maio ou a “rentrée” do PSD”. “Não vale a pena vir aqui como carpideiras vários meses depois (...) e pretender que a celebração da vitória de um clube que há 19 anos não era campeão nacional iria decorrer com a disciplina de uma peregrinação a Fátima ou celebração do 1.º de Maio organizada exemplarmente pela CGTP. Não é possível estamos a falar de dinâmicas sociais totalmente diferentes”, rematou.

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