Faltam “evidências” mas Portugal está no grupo de países que já administram a terceira dose das vacinas

Por cá, a dose de reforço das vacinas contra a covid-19 só está indicada para doentes oncológicos, com VIH ou que tenham realizado um transplante de órgãos recentemente. Contra as desigualdades da distribuição destes imunizantes, a OMS mantém que as “vantagens de imunizar os não vacinados são muito maiores” para “acelerar o fim da pandemia”, embora reconheça que as pessoas com o sistema imunitário débil deverão mesmo tomar o reforço.



“Os estudos publicados até agora não fornecem evidências dignas de crédito de que a protecção contra a covid-19 grave - que é o principal objectivo das vacinas - esteja a diminuir”, concluem em uníssono os peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da agência de medicamentos dos Estados Unidos (FDA), num estudo publicado esta segunda-feira na revista científica The Lancet.

Neste novo capítulo do debate sobre o reforço das vacinas, os especialistas reiteram que muito “embora uma terceira dose possa propiciar algum benefício, as vantagens de imunizar os não vacinados são muito maiores”, já que será este o caminho a seguir para “acelerar o fim da pandemia”, impedindo “a evolução de mais variantes do novo coronavírus”.

Entretanto, por cá, a terceira dose das vacinas da Pfizer e da Moderna já estão a ser administradas a um conjunto restrito de pessoas, nomeadamente aos pacientes que tenham sido submetidos a um transplante de órgãos, vulgo doentes imunossuprimidos. Isto porque as pessoas que realizam este tipo de procedimento têm comprovadamente maior susceptibilidade às infecções por causa da medicação associada. Além destes, “pessoas com infecção VIH com contagem de linfócitos T-CD4+ <200/µL, doentes oncológicos e pessoas com algumas doenças auto-imunes” também estão na lista da terceira dose elencada na norma da vacinação da Direcção-Geral da Saúde.

Ao contrário de França ou de Israel, que já começaram a administrar este reforço na população com mais de 65 anos e portanto mais vulneráveis, a Comissão Técnica da Vacinação portuguesa aguarda uma posição final da Agência Europeia dos Medicamentos para decidir sobre esta matéria.

Ainda na semana passada, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) veio dizer que não há urgência na administração de uma terceira dose da vacina contra a covid-19 para os indivíduos que tenham a imunização completa e sistemas imunitários normais, precisamente na mesma linha que está a ser seguida pelas autoridades nacionais. Também o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) não recomenda uma terceira dose para reforço da vacinação contra a covid-19 na União Europeia (UE), admitindo apenas este cenário para pacientes imunodeprimidos.

De resto, a mais recente revisão dos estudos clínicos sobre a eficácia das vacinas levada a cabo pela OMS e pelo FDA vem dar força ao argumento. “O conjunto de evidências acumuladas até agora parece mostrar que não há necessidade de uma terceira dose na população em geral, porque a sua protecção contra a doença grave ainda é alta”, insistem os especialistas que estão por detrás dos mais recentes ensaios sobre a eficácia das vacinas, reconhecendo, no entanto, que os imunodeprimidos precisarão mesmo da terceira dose.

95% eficazes contra a doença grave e 80% contra a infecção, a terceira dose da Pfizer ou da Moderna deve ser administrada com um intervalo mínimo de três meses após a última toma, sob orientação e prescrição médicas. A Directora-Geral da Saúde, Graça Freitas admite que em Portugal “serão certamente menos de 100 mil pessoas” que estarão em condições de receber a dose adicional, administrada nos centros de saúde.

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