Desacatos em Reguengos de Monsaraz fazem disparar inscrições de polícias em workshop de defesa pessoal

Associação desportiva dedicada aos desportos de combate da cidade criou um workshop gratuito que se vai realizar no fim-de-semana de 31 de Julho e 1 de Agosto. Ao NOVO, o professor Pedro Morgado Rodrigues garantiu que já há dezenas de agentes inscritos, oriundos de “todos os departamentos de segurança pública”.



Os desacatos ocorridos na sexta-feira à noite junto da esplanada de um bar em Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, fizeram com que uma associação desportiva dedicada aos desportos de combate da cidade, nomeadamente a Fighters Inside Reguengos, desse início a um workshop gratuito de defesa pessoal, a nível nacional, e já há dezenas de profissionais inscritos.

Ao NOVO, Pedro Morgado Rodrigues, professor na associação, garantiu que têm já “perto de 40 agentes interessados” oriundos de “todos os departamentos de segurança pública”, mais concretamente da Polícia Marítima, Investigação Criminal, Polícia de Segurança Pública (PSP) e Guarda Nacional Republicana (GNR).

“É, de facto, incrível a necessidade de formação que os próprios agentes sentem, de norte a sul do país”, sublinhou, explicando aquilo que já havia sido publicado na página oficial da associação. “Desde a nossa publicação sobre o incidente que houve em Reguengos de Monsaraz, oferecendo-nos para dar formação gratuita a agentes da autoridade no nosso centro de treino, temos recebido dezenas de contactos de agentes de norte a sul do país com interesse em receber formação”, pode ler-se na publicação.

Este primeiro workshop vai realizar-se no fim-de-semana de 31 de Julho e 1 de Agosto, baseando-se na introdução a técnicas de luta e controlo corpo a corpo, sem armas. Cada dia terá uma turma diferente, e cada turma terá uma lotação máxima de 16 participantes. “Será exigido fazer teste covid-19 antes de participar ou apresentar prova de já ter estado infectado e recuperado/vacinado com as duas doses”, lê-se na publicação.

Em relação aos desacatos em Reguengos de Monsaraz, a associação diz ter ficado “chocada” com o que aconteceu, tendo sido essa a razão pela qual ter decidido dar início a este workshop. “Não podemos ficar indiferentes a esta situação. Este é o nosso contributo para a melhoria das nossas forças de segurança pública e um agradecimento por todo o risco a que se submetem todos os dias. Queremos contribuir para que nunca mais aconteçam situações como a que aconteceu”, sublinhou.

Os desacatos, recorde-se, provocaram três feridos, que foram atropelados pelo condutor de um automóvel, que, posteriormente, abandonou a viatura, disseram fontes da GNR e dos bombeiros.

A GNR esclareceu, num comunicado divulgado no sábado, que será instaurado um processo de averiguações para apuramento de eventual responsabilidade disciplinar relativamente à actuação dos militares da Guarda.

Câmara fala em falta de efectivos da GNR em Reguengos de Monsaraz
A Câmara de Reguengos de Monsaraz afirmou que o caso de violência ocorrido na sexta-feira na cidade evidencia a “falta de efectivos” da GNR e considerou “fundamental” a identificação dos “infractores” e a abertura de “inquéritos”.

Em comunicado, este município, no distrito de Évora, anunciou que vai solicitar uma audiência, com carácter de urgência, ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, com o objectivo de “garantir um reforço de efectivos e de meios” da GNR.

No comunicado enviado à agência Lusa, a autarquia repudia veementemente os desacatos e a violência” e considerou “fundamental que se identifiquem os infractores e sejam abertos os respetivos inquéritos, para se fazer justiça”.

Assinalando que o caso se reveste de “extrema gravidade”, a autarquia garantiu que os factos “foram pontuais e fizeram transparecer a falta de efectivos” e “a falta de meios” do Posto Territorial de Reguengos de Monsaraz da GNR.

O município “vem, mais uma vez, reprovar e manifestar-se publicamente contra a diminuição do número de efectivos da GNR nos postos territoriais de Reguengos de Monsaraz e de Telheiro a que se tem vindo a assistir há mais de uma década”, escreveu.

Com Lusa

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