Dérbi suspeito. Resultados preocupantes de doze amostras de Benfica e Sporting foram escondidos durante anos

Um processo judicial a que o NOVO teve acesso revela uma história que estava até agora guardada em segredo. Seis jogadores do clube da Luz e seis futebolistas leoninos apresentaram resultados “preocupantemente atípicos” nas suas amostras biológicas, depois de serem submetidos a um controlo antidoping que coincidiu com um jogo entre os rivais na Luz. Na mesma altura, amostras de outros atletas enviadas para um laboratório belga nunca chegaram ao destino, tendo sido investigadas suspeitas de um roubo planeado para que os resultados anómalos das análises destes jogadores nunca fossem conhecidos.

Decorria a temporada 2016/2017 quando a Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) colocou em marcha a Operação Segunda Circular com controlos aos jogadores de Benfica e Sporting antes e depois de um dérbi na Luz, relativo à 13.ª jornada da I Liga, e que acabaria com a vitória da equipa de Rui Vitória sobre a de Jorge Jesus por 2-1.

Uns tempos depois, chegaria a notícia de que a Autoridade Nacional Antidopagem tinha apresentado uma queixa no Ministério Público por suspeitas de roubo de amostras de atletas. De uma remessa avultada de colheitas enviadas para o laboratório de Ghent, na Bélgica, um dos laboratórios credenciados pela Agência Mundial Antidopagem (AMA), mais de 260 amostras não tinham chegado àquele destino. Ou seja, tinham “desaparecido” pelo caminho, sem que ninguém dos CTT ou da DHL conseguisse encontrar uma justificação para esse facto. Todas as amostras tinham saído de Lisboa, mas algumas não tinham chegado a Ghent.

Tudo parecia indicar que esse misterioso desaparecimento estava relacionado com o polémico controlo antidoping, que num movimento inédito e inesperado varrera a totalidade do plantel do Benfica e do Sporting.

O que até hoje ainda ninguém sabia (ou muito poucos sabiam) é que entre as colheitas a jogadores do Benfica e do Sporting foram detectados resultados “preocupantemente atípicos ” nas amostras de seis jogadores da Luz - Paulo Lopes, Nélson Semedo, Jardel, Lisandro López, Rafa Silva e Rául Jiménez - e de seis jogadores de Alvalade- Beto, Ricardo Esgaio, Douglas, Adrien, Bruno César e Alan Ruiz. Quem o diz é a Autoridade Nacional Antidopagem e o próprio Ministério Público.

As revelações surpreendentes constam de um processo judicial relativo ao roubo das amostras, com 303 páginas, que o NOVO consultou - e que revela em detalhe na edição que esta sexta-feira chega às bancas.
com Cátia Andrea Costa e Luís Mota

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