Crise na saúde: “Não é justo culpar o ministro em funções há meia dúzia de semanas”, aponta Marques Mendes

Para o comentador, o mais indicado seria perguntar a um governo que está em funções há sete anos porque deixou chegar a situação a este ponto. “Esta é parte difícil de compreender. Então, em sete anos, a situação, em vez de melhorar, piorou”, afirmou.



Luís Marques Mendes considera que não é justo atribuir as culpas a Manuel Pizarro da actual crise que atravessa o sector da saúde em Portugal.

“Não é muito justo culpar o ministro da Saúde por esta situação, porque está em funções há meia dúzia de semanas”, referiu, acrescentando que existe um problema sério que se arrasta e agrava há muito tempo, que são várias as demissões de directores clínicos que ocorreram esta semana em vários hospitais e que o tempo que as pessoas estão nas urgências é excessivo.

Como tal, o comentador considera que é legítimo perguntar ao Governo que está em funções há sete anos porque deixou chegar a situação a este ponto. “Não são sete meses. Esta é parte difícil de compreender. Então, em sete anos, a situação, em vez de melhorar, piorou”, sublinhou.

Marques Mendes deixou ainda o alerta para um tema mais delicado e sério relacionado com um concurso esta semana aberto pelo Governo para médicos especialistas. “Centenas recusaram as vagas e elas não foram todas preenchidas. Será que ser-se médico no Serviço Nacional de Saúde deixou de ser uma função atractiva?”, questionou.

Para o comentador, são três as principais razões para tal facto ter acontecido. “Primeiro, os médicos são mal pagos. Apesar da delicadeza das suas funções e de trabalharem imenso, são mal pagos. Segundo, muitas vezes, o seu projecto profissional não é motivador, as condições de trabalho não são boas e conseguem-nas noutro lado. Terceiro, o excesso de burocracia, de trabalho administrativo que os médicos têm de fazer. Eles foram formados não para serem burocratas, mas para serem médicos”, referiu.

Marques Mendes defendeu ainda que não é apenas injectando mais dinheiro que se resolvem os problemas de gestão, organização e falta de atractividade das carreiras médicas.

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