Cova da Moura. Polícias juntam-se para angariar dinheiro para família de colega preso

Agente da PSP Joel Machado, que tem um filho e a mulher grávida de gémeos, entregou-se na prisão para cumprir pena de ano e meio de cadeia. Caso surgiu na sequência de agressões a seis jovens do bairro da Cova da Moura, na esquadra de Alfragide, em Fevereiro de 2015.



O agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) Joel Machado, o único polícia a ser condenado a prisão efectiva no caso conhecido como “Cova da Moura”, entregou-se no final da semana passada na prisão, para cumprir uma pena de ano e meio de cadeia, e vários polícias abriram uma conta bancária para receber donativos com o objectivo de ajudar a sua mulher, grávida de gémeos, e o seu filho de sete anos.

Numa publicação feita nas redes sociais, o Movimento Zero, que diz que a detenção deste agente deixa a “família policial mais pobre”, anunciou a abertura da conta bancária e revelou o IBAN para quem quiser prestar auxílio aos familiares do agente da PSP.

“Este polícia, que tudo deu em prol da sociedade e da nação, que por duas vezes jurou conceder a sua vida se preciso fosse para salvaguardar a defesa destas, que dedicou, especialmente às comunidades locais por onde prestou serviço, uma inqualificável entrega para o cumprimento da missão que lhe foi confiada, hoje, lamentavelmente, deixa toda uma família policial mais pobre e uma sociedade fragilizada”, começou por escrever, garantindo tratar-se de um “excelente profissional” e de um “verdadeiro polícia”.

“Este ‘feliz’ polícia, ‘por tremenda culpa de assim o ser’, despede-se por imposição, de uma esposa, de uma criança de apenas sete anos - seu filho - e de mais dois que em breve também nascerão. É desta forma que mais um polícia exemplar é destruído, e, com ele, todo o seu agregado arremessado ao abismo”, revelou, acrescentando que nos cabe “a todos, um apoio exemplar, por forma a permitirmos que este agregado consiga sair deste pesadelo com as menores consequências possíveis e ultrapasse com a toda a dignidade, a maior injustiça das suas vidas”.

Joel Machado, recorde-se, foi condenado em Maio do ano passado, assim como outros sete agentes policiais, na sequência de agressões a seis jovens do bairro da Cova da Moura, na esquadra de Alfragide, em Fevereiro de 2015. Machado, porém, foi o único com uma condenação a uma pena de prisão efectiva por, de acordo com os juízes, já apresentar uma condenação por um crime semelhante.

O Tribunal Constitucional recusou, em Maio deste ano, o recurso apresentado pelo agente da PSP e, há cerca de uma semana, foi emitido um mandado de detenção para Joel Machado.

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