Comporta: lotes arrestados em vias de serem vendidos a clã Espírito Santo

Está em marcha uma estranha operação de compra de dois lotes de terreno no famoso condomínio da Comporta que ficou conhecido como o retiro dos Espírito Santo. Os lotes estão arrestados no processo BES/GES mas, de acordo com documentos a que o NOVO teve acesso, a Herdade da Comporta aceitou vendê-los a um preço abaixo do valor de mercado e aos actuais condóminos.



Dois lotes situados no condomínio da Comporta, onde muitos Espírito Santo e estrangeiros célebres ergueram luxuosas moradias, e que estão arrestados preventivamente no âmbito do processo BES/GES, estão em vias de serem vendidos aos actuais proprietários das casas desse condomínio, entre os quais elementos da família de Ricardo Salgado. O negócio tem sido discutido nas últimas semanas entre a Herdade da Comporta, que faz a gestão destes activos, e os representantes de uma empresa criada em Outubro especificamente para este efeito, a Brejos Country Club, Lda., que tenciona reunir o capital de vários dos actuais condóminos até ao final do ano, revela o NOVO.

Como os bens estão “guardados” para poderem ser usados para pagar a eventuais credores do Grupo Espírito Santo, a transacção destes lotes está dependente da autorização do Tribunal Central de Instrução Criminal. Entre os moradores que poderão vir a ser donos destes lotes arrestados, por um preço abaixo do valor de mercado, estão nomes como o de Carlos Beirão da Veiga, dono de um lote naquele condomínio e administrador da própria Herdade da Comporta, a entidade responsável pela venda destes activos. Para já, de acordo com documentos a que o NOVO teve acesso e que revela em detalhe na edição que esta sexta-feira chega às bancas, outros elementos da família Espírito Santo que ali têm casa, como Caetana Beirão da Veiga e Mafalda Brito e Cunha, já disseram estar interessados em investir na empresa e nos dois lotes que a Herdade da Comporta está disposta a vender por 2 milhões de euros, desde que o tribunal autorize. Quem também já disse querer fazer parte do “clube” foi Pedro Almeida, o empresário dono da ARDMA que quis comprar o fundo da Herdade da Comporta mas viu o seu objectivo travado por suspeitas de que estava a actuar de forma concertada para favorecer os Espírito Santo.

A sociedade por quotas, constituída para adquirir estes dois lotes, foi criada na sequência de o grupo Pestana ter conseguido comprar um terreno mesmo ao lado deste empreendimento e de alguns condóminos temerem agora perder a exclusividade no acesso à praia dos Brejos, entre a Comporta e o Carvalhal. “Não queremos cá os Pestana ou outros a passearem pelos nossos arrozais”, lamentaram-se. Foi então que dois moradores do condomínio, António Posser de Andrade e a advogada Filipa Arantes Pedroso, apresentaram um plano aos cerca de 90 donos dos lotes vizinhos: para conseguirem fechar o acesso ao condomínio e manter a exclusividade do acesso à praia, precisavam rapidamente de comprar dois lotes, um deles o que durante anos foi ocupado pelo restaurante Gervásio.

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