“Catar? O meu lugar no futebol é no Estádio da Luz”, realça ministro da Cultura

Na semana em que o Parlamento votou e aprovou a ida de Marcelo Rebelo de Sousa ao Catar, para que o Chefe de Estado estivesse na estreia da Seleção portuguesa nesta competição, o ministro da Cultura, conhecido sócio e adepto benfiquista, referiu nesta entrevista ao “Expresso” que não irá ao Mundial, mesmo que Portugal chegue à final.



Pedro Adão e Silva, ministro da Cultura, pronunciou-se esta sexta-feira, em entrevista ao “Expresso”, sobre a deslocação de responsáveis políticos ao Catar no âmbito da realização do Mundial de 2022, referindo que o seu lugar no futebol é no Estádio da Luz.

Na semana em que o Parlamento votou e aprovou a ida de Marcelo Rebelo de Sousa ao Catar, para que o Chefe de Estado estivesse na estreia da Seleção portuguesa nesta competição, o ministro da Cultura, conhecido sócio e adepto benfiquista, referiu nesta entrevista que não irá ao Mundial, mesmo que Portugal chegue à final.

“Seria difícil conciliar a minha agenda, depois vou ao futebol quase todas as semanas desde que nasci. O meu lugar no futebol é no Estádio da Luz. Suspendi a minha carreira de comentador desportivo, mas tive a oportunidade de me manifestar sobre o que achava do Mundial no Qatar, quando ainda não se falava sobre o tema. Tenho um ceticismo profundo e estrutural contra as instâncias que dirigem o futebol mundial”, realçou em entrevista ao “Expresso”.

A deslocação do Presidente da República ao Qatar para assistir ao primeiro jogo da seleção nacional de futebol no Mundial 2022, na quinta-feira, foi aprovada esta semana no Parlamento, com votos a favor das bancadas do PS, PSD e PCP, abstenção do Chega e votos contra de IL, BE, PAN e Livre.

Anteriormente, no dia 17 de novembro proferiu declarações que se tornaram polémicas sobre o emirado pedindo concentração nas questões desportivas.

“O Qatar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal..., mas, enfim, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na equipa. Começámos muito bem e terminámos em cheio”, disse hoje Marcelo Rebelo de Sousa, na zona de entrevistas rápidas no Estádio José Alvalade, na quinta-feira da semana passada.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram que milhares de pessoas morreram no país entre 2010 e 2019 em trabalhos relacionados com o Mundial.

Um relatório publicado no jornal britânico The Guardian, no passado mês de fevereiro, indica a morte de pelo menos 6.500 pessoas.

Além das mortes por explicar, o sistema laboral ‘kafala’ e os trabalhos forçados, sob calor extremo assim como as longas horas de trabalho, entre outras agressões, têm sido lembradas e expostas vários há anos por organizações não-governamentais e relatórios de instituições independentes.

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