Aumentam queixas contra professor acusado de recusar exame a aluna devido à roupa. E há mais casos

Paulo Pulido Adragão, docente da Faculdade de Direito da Universidade do Porto (FDUP), terá recusado entregar um exame a uma aluna, há cerca de uma semana. Ao NOVO, Sara Machado, do núcleo HeforShe, garantiu que lhe têm chegado vários testemunhos sobre este e outros professores.



A alegada atitude do professor da Faculdade de Direito da Universidade do Porto (FDUP), Paulo Pulido Adragão, que terá recusado entregar um exame a uma aluna pela forma como esta estava vestida, há cerca de uma semana, tem originado outras queixas a envolver o mesmo docente.

Ao NOVO, Sara Machado, do núcleo HeforShe desta faculdade - movimento global que reúne esforços para estabelecer uma verdadeira igualdade de género -, garantiu que lhe têm chegado vários testemunhos de ex-alunos a partir do momento em que o caso foi divulgado.

“Tivemos mais queixas que nos chegaram de ex-alunos da faculdade. Tivemos os testemunhos de algumas ex-alunas que foram vítimas da mesma coisa pelo mesmo professor há 15 e 20 anos”, começou por sublinhar, acrescentando que têm surgido também queixas em torno de outros professores.

“No que diz respeito a outros professores, tivemos algumas queixas, mas essencialmente outros professores da Universidade do Porto, como da Faculdade de Letras e da Faculdade de Economia”, relatou.

Na semana passada, a Universidade do Porto adiantou ao NOVO que um processo de averiguações a Paulo Pulido Adragão foi oficialmente instaurado pela direcção da faculdade, no dia 5 de Julho, e que se aguarda agora a conclusão do mesmo para determinar a instauração de novas medidas, “incluindo as de âmbito disciplinar”.

Contactada pelo NOVO, a Universidade do Porto adiantou que “o processo de averiguações encontra-se ainda a decorrer, pelo que não há novas informações”. Sara Machado explicou ainda que “o inquérito pode durar cerca de 90 dias, portanto estamos à espera do que sairá dali e das conclusões da direcção”.

A Direcção da Faculdade, recorde-se, diz “comprometer-se ao escrupuloso cumprimento das normas internas e constitucionais que determinam que numa escola pública não podem ter lugar quaisquer ‘directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas’”.

Em causa estão, alegadamente, insinuações feitas por Paulo Pulido Adragão a uma aluna sobre a forma como estava vestida durante um exame, que se realizou no dia 2 de Junho, motivo que alegadamente levou o professor a recusar entregar o enunciado do exame à aluna. A Universidade do Porto confirmou, porém, que “a estudante acabou por receber o enunciado e realizar o exame ao mesmo tempo conferido aos restantes colegas.”

O NOVO tentou entrar em contacto com o professor Paulo Pulido Adragão, mas sem sucesso.

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