“A roupa não tem género”: alunos em Carcavelos incentivados a ir para a escola de saia

Associação de Estudantes da Escola Básica e Secundária de Carcavelos, em Cascais, criou a iniciativa para mostrar que “a roupa não tem género”. A presidente da associação garante que o intuito “é apelar à não discriminação”, mas esta ideia já fez correr muita tinta.



“Esta sexta usamos saia”: é este o mote de uma iniciativa levada à cabo esta sexta-feira pela Associação de Estudantes da Escola Básica e Secundária de Carcavelos, em Cascais, em que os alunos do sexo masculino foram incentivados a ir para a escola de saia com o objectivo de mostrar que “a roupa não tem género”.

“Esta sexta usamos saia. Desafiamos-te a ti, e a toda a comunidade escolar a vir de saia. Porque a roupa não tem género e porque somos contra a discriminação vamos mostrar a todos que a nossa comunidade respeita a liberdade de expressão. Junta-te aos teus amigos, convence os teus professores e desafia os funcionários!”, pode ler-se numa publicação feita pela Associação de Estudantes daquele estabelecimento de ensino, ilustrada com cartazes onde o convite é feito igualmente através da oferta de 10 euros por parte da associação.

“Põe uma foto no insta a usar saia (sozinho ou acompanhado) e habilita-te a ganhar um cartão da Steam de 10€ e brindes surpresa”, lê-se num dos cartazes publicados. Ao Polígrafo, a presidente da Associação de Estudantes, Ana Raimundo, esclareceu que o intuito da iniciativa “é apelar à não discriminação e ao respeito pela liberdade de expressão”, garantindo também que o prémio entregue resulta de “sobras de um torneio de videojogos” e não está, de todo, relacionado com dinheiro da própria escola.

Apesar de todas as explicações, esta iniciativa tem feito correr muita tinta. Ao NOVO, António Saldanha, vice-presidente da Juventude Popular de Cascais e ex-aluno da Escola Secundária de Carcavelos, sublinhou que soube da ideia através de mensagens de alunos que lhe foram sido enviadas ao longo dos últimos dias. E garantiu também que até recebeu relatos de alunos que os professores pressionaram para aderirem à iniciativa.

“Por detrás desta iniciativa aparentemente inofensiva que diz querer combater a intolerância e defender que ‘a roupa não tem género’, está uma agenda de esquerda radical que acredita que o ‘género’ é uma construção social e que nada tem a ver com o sexo biológico. Querem, por isso, eliminar as características que, enquanto sociedade, atribuímos a cada sexo/género, masculino e feminino. Dizemos com ironia que não alinhamos com a ditadura do relativismo que quer homens de saia e mulheres de bigode. Queremos deixar claro que para nós o que está em causa não é a roupa que cada um veste e que deve ser livre de vestir. O que está em causa é a imposição de propaganda ideológica a crianças e menores de idade numa escola. Acreditamos que a escola não é lugar para doutrinações de qualquer tipo”, começou por dizer António Saldanha, que falou ainda do prémio que é referido nos cartazes.

“Chamamos ainda a atenção para o facto de, como incentivo para a utilização de roupa feminina, a Associação de Estudantes tenha organizado um concurso que sorteia 10 euros entre os rapazes que forem de saia para a escola e o publicitarem nas redes sociais. Tal não é mais que a mercantilização do que pretende ser uma luta identitária”, concluiu.

No Facebook, há também quem se tenha indignado com esta actividade. O empresário João Rodrigues dos Santos, irmão do jornalista da RTP José Rodrigues dos Santos e candidato à Câmara Municipal de Cascais pelo Chega, utilizou a sua página nesta rede social para mostrar o seu descontentamento. “É hoje o dia da saia. Na escola secundária de Carcavelos estão a incentivar as nossas crianças e os nossos jovens a usarem saias. Isto não é fake. É mesmo real... #Chega de doutrinamento. #vergonha”, escreveu.

O presidente da Distrital de Lisboa do partido liderado por André Ventura, Pedro Pessanha, também deixou algumas críticas. “A Associação de estudantes de uma Escola de Carcavelos teve como iniciativa a brilhante ideia, durante o dia de amanhã [sexta-feira], de pedir para todos aparecerem de saias. Pensava eu que a prioridade das escolas era dar formação às crianças... BE e afins a “fazer a cabeça” das nossas crianças. Sem comentários”, disse.

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