Opinião

Winter is coming

Teresa Nogueira Pinto


Estamos à beira de uma recessão global. Os EUA, a China e a União Europeia estão em retracção. Na Europa há uma crise energética, inflação e uma guerra à porta.

Ao contrário do que possa parecer, este círculo vicioso não começou em Fevereiro. Ayn Rand sintetiza o problema numa formulação especialmente feliz: podemos evitar a realidade, mas não podemos evitar as consequências de evitar a realidade. Tentando fintar a realidade, os decisores esqueceram-se de que, como explica Thomas Sowell, não existem soluções sem contrapartidas. Chegou a hora das contrapartidas, ou seja, das consequências.

As crises, como a morte e os impostos, são uma fatalidade com a qual temos de viver. E não se pode esperar que mais de uma década de políticas monetárias irresponsáveis, seguidas do fecho abrupto e quase total das economias e do recurso ao dinheiro-helicóptero, não provoque desequilíbrios profundos. Num tempo em que ainda se louva a política como técnica, convém lembrar que estas decisões foram desenhadas por tecnocratas e especialistas, e seguidas com temor reverencial por líderes e governos em todo o mundo. Neste contexto, a invasão da Ucrânia não foi senão a gota de água.

Agora são precisos líderes que usem o poder com inteligência e prudência e que não tentem camuflar a sua incompetência com faits divers. Como nos EUA, onde a vice-presidente anuncia os seus pronomes e assinala que está vestida de azul.

A silly season estender-se-á indefinidamente até os efeitos materiais da crise se tornarem insuportáveis para a maioria das pessoas. Aproveitemo-la, pois, fingindo que as grandes aflições da humanidade são as tranças da Rita Pereira. É que, depois disso, virá o Inverno. Será duro e longo.

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