Opinião

Viver abaixo das nossas possibilidades

Rui Rocha


Nos últimos dias discutiu-se se o primeiro-ministro vai continuar no Governo a partir de 2024. Ora, esta é uma questão que diz sobretudo respeito a António Costa e aos eleitores que lhe confiaram o voto. Muito mais relevante é efectuar um balanço do que fez nos últimos seis anos e projectar o que poderá ser a sua actuação enquanto estiver em funções.

Quanto ao balanço, Costa obteve, reconheça-se, vários recordes. Bateu o recorde do governo mais extenso da democracia. Sagrou-se recordista da carga fiscal e da receita de impostos sobre os combustíveis. Detém o recorde de portugueses sem médico de família – um milhão e duzentos mil em Janeiro – e de cirurgias em atraso: 200 mil portugueses esperam uma intervenção. Alcançou ainda uma elevadíssima taxa de desemprego jovem – chegou a ser de 24% há bem pouco tempo e estava em 20% em Fevereiro. E, além de tudo isto, é o chefe de governo que viu mais países europeus ultrapassarem Portugal durante os seus mandatos. Até ver, quatro. É mais um recorde. E, mesmo que se retire para um cargo europeu em 2024, já não sairá antes de sermos ultrapassados também pela Roménia, batendo assim o seu próprio recorde.

Para os próximos tempos, o programa do Governo também não traz boas notícias. A saúde, a justiça, o sistema eleitoral, a agricultura são apenas algumas áreas em que tudo continuará como antes. Mas concentremo-nos no crescimento. Portugal será um dos últimos países da União Europeia a recuperar os níveis de riqueza existentes antes da pandemia. E, a partir de 2024, já depois dos milhões do Plano de Recuperação e Resiliência, o aumento do produto interno bruto voltará a ser anémico.

Perante isto, o Governo não adopta a medida que dinamizaria a economia: a descida de impostos para empresas e famílias. No IRC, teremos das taxas mais altas da Europa. Mais um recorde. No IRS, passaremos a ser o país da União Europeia com mais escalões. Novo recorde, com mais complexidade e burocracia. E algum alívio que possa existir para certos níveis de rendimento será mais do que compensado com o agravamento da tributação indirecta. O que deixa de ser retido na fonte fica, no dia seguinte e em dobro, na bomba de gasolina.

Vem aí mais do mesmo e isso é muito menos do que precisamos. Com a governação socialista, os portugueses continuarão a viver abaixo das suas possibilidades, a concretização do potencial do país ficará novamente adiada e os jovens terão na emigração, em breve tendo também como destino a Roménia, a única opção para encontrarem melhores condições de vida.