Opinião

Vamos lá desconfinar a coragem!

Ana Pedrosa-Augusto


Terá ficado arrumada, há muito, a coragem dos Portugueses? Aquela que nos permitiu alcançar grandes proezas e feitos de gigantes? Guardámos as luvas da luta por um País melhor? Aceitamos, sem questionar, tudo o que nos atiram aos olhos?

Quero sempre acreditar que a resposta é um grande NÃO! Mas, é um facto, estamos adormecidos.

Porque essa é a única explicação para tolerarmos um Governo que mantém um Ministro da Administração Interna que já fez tudo o possível e impossível para deixar de o ser e ainda assim mantém o cargo.

Para suportarmos um Ministro do Ambiente que, no mínimo, age por interesses não explicados, que nunca responde às questões que lhe são colocadas e que obrigou mesmo a uma resolução da Assembleia da República a denunciar o “sistemático incumprimento do dever de resposta”.

Para aguentarmos um Ministro do Planeamento que oculta o verdadeiro Plano de Recuperação e Resiliência enviado a Bruxelas e que depois, em entrevista, passa a responsabilidade aos Portugueses pelo seu cumprimento, como se não fosse o Governo, este governo PS, que tudo define, para quem quer, a seu bel-prazer.

Só este adormecimento permite a continuação de um Ministro dos Negócios Estrangeiros que recebe as notícias da destruição anunciada do verão turístico português por parte do Reino Unido ou Espanha ao mesmo tempo que todos nós: quando o mal está feito e é preciso correr atrás do prejuízo.

Estamos de olhos fechados quando aceitamos que o Ministro da Educação continue a falar como se a pandemia não tivesse realmente acentuado desigualdades entre os alunos, como se as escolas por magia se tivessem transformado e a todos seja ensinada uma cultura de mérito. E nem nos lembramos que é também Ministro do Desporto – só quando aparece a dar os parabéns a Cristiano Ronaldo.

Encolhemos os ombros quando a Ministra da Justiça dançou a dança da estranha nomeação do procurador europeu e olhamos para o lado quando sabemos agora que houve, pelo menos, 23 nomeações de magistrados para os cargos de ministro, secretário de Estado, chefe de gabinete, adjunto e diretor-geral nestes Governos PS sem termos a mínima noção de conflito de interesses entre quem decide, quem investiga e quem julga (talvez até a mesma pessoa).

A Ministra da Cultura, entre tantos votos de pesar pelas perdas de grandes nomes que temos sofrido, esqueceu-se que tinha havido eventos piloto, não houve resultados nem sabemos se haverá, mas permitiu ainda assim a atuação da DGS com normas que vão, naturalmente, impactar de forma muito negativa o setor que deveria proteger.

Todas estas funções são lideradas por quem se entretém a brincar ao braço de força com o Presidente da República. Por um Primeiro-Ministro que foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa aquando da definição dos procedimentos de envio de dados pessoais a terceiros e que agora promove uma cerca à cidade, sem sequer se importar se isso é legal.

Estamos entregues a esta teia e a este PS, um PS que se perdeu e que nomeia, coloca, faz, manda fazer, e já de nada quer saber se não de manter o seu poder.

Caros Portugueses, está na hora de acordar. Se torcemos por Portugal no futebol, então vamos lá aplicar essa força e entusiasmo no mais, que é só toda a nossa vida! E se a nossa coragem confinou, então vamos lá a desconfinar! Ela não precisa de vacinas. Só precisa de nós, para que possamos garantir que o nosso futuro é mais do que sermos pedintes.