Opinião

Uma nova maioria para mudar de rumo

António Pinheiro Torres


Este domingo pode bem ser que uma nova maioria, liderada pelo PSD, dê ao país a ocasião de reencontrar um rumo e descobrir novas oportunidades. Será assim possível sair desta apagada e vil tristeza de um país dominado pela esquerda desde 1995 (com dois curtos intervalos, sempre em crise extrema) e pôr fim ao estatismo dominante e à tentativa do poder de condicionar os homens e a sociedade.

Como sempre na vida, um recomeço é fascinante. Mas, também como na vida, as oportunidades podem ser exploradas ou desperdiçadas. Manter a tensão do ideal exige que se tenham sempre presentes as razões de fundo, única possibilidade de que as circunstâncias e as contingências não malogrem o desejo da mudança necessária. Malfadadamente, na história política portuguesa, a esquerda tem sido mais capaz do que a direita de nunca perder a sua identidade e distinguir o essencial do acessório. E, soberana na mentalidade cultural, consegue mesmo perdurar quando não são os seus protagonistas que estão no poder e condicionar a actividade da direita. A ideia original foi de Gramsci e, um século depois, ainda funciona...

Perante este quadro, importa que a nova maioria que se desenha regresse às suas origens e, na prática, concretize o ideal que, com diferentes matizes, a distingue da esquerda. Tanto quanto uma simplificação da definição o permite, esse ideal político é o do primado da pessoa (e da sociedade constituída pelo conjunto das famílias) sobre o Estado, sendo o poder funcional para a convivência e o escopo comuns.

Este ideal tem uma raiz: o reconhecimento da dignidade humana – um conceito que tem a sua origem no cristianismo e que está na base de todo o direito da nossa civilização. Para a sua importância nos alertou uma vez mais o Papa Francisco quando, recentemente, disse: “Na nossa época, marcada por tantas tensões sociais, políticas e até sanitárias, cresce a tentação de considerar o outro como um estranho ou um inimigo, negando-lhe uma real dignidade.” Acrescentando que “a afirmação de tal dignidade é a condição indispensável para a protecção da existência pessoal e social, e também a condição necessária para que a fraternidade e a amizade social se realizem entre todos os povos da terra” – razão pela qual “a dignidade de cada ser humano tem um carácter intrínseco, válido desde o momento da sua concepção até à sua morte natural”.

Nos últimos anos (e lamentando sinceramente a injustiça subjectiva que isso represente para tantos nossos bons concidadãos, e até amigos, desse quadrante político, que ou lhe resistiram ou nisso colaboraram movidos por sentimentos de humanidade e justiça dos quais retiraram outra ilação), a esquerda em Portugal tem empreendido um trabalho sistemático de demolição do edifício legislativo (fundado, aliás e também, na ordem constitucional) que protegia a dignidade humana nas suas diversas vertentes: a inviolabilidade da vida humana (da concepção até à morte natural), a preservação das liberdades educativas, o respeito da instituição familiar, a subsidiariedade na acção social, as liberdades de expressão e consciência, etc. As consequências disso no deslaçar da vida social, das pessoas e das famílias são inúmeras e é tempo de se lhe pôr cobro.

Que possa uma nova maioria, consciente de si própria, determinada e alegre, corajosa e atenta à realidade, com estes ideais presentes, resultar das eleições deste domingo é o voto que deixo!

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