Opinião

Um quase pântano

Diogo Agostinho


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Uma noite eleitoral de loucos. Quem diria que, face às sondagens disponíveis, Carlos Moedas seria presidente da Câmara Municipal de Lisboa? Poucos.

O NOVO começou com uma sondagem sobre Lisboa. Colocava Moedas, na altura, no bolso. Daí até cá, Moedas fez o seu caminho. Sem espalhafato, sem ruído. Correu Lisboa e deu, com a sua simplicidade, xeque-mate a um delfim de Costa. Fernando Medina perdeu muito mais do que Lisboa. E Moedas venceu muito mais do que Lisboa. Claro que existem mais dados que merecem ser analisados. Estamos a falar de Coimbra, do Funchal, de Portalegre e de muitos sítios onde o PPD/PSD surpreendeu. Não dá para fugir: Rui Rio teve uma vitória pessoal. Depois de quatro anos de apatia, de uma derrota em eleições legislativas, consegue uma prova de vida numas eleições que muitos vaticinavam como as últimas. E vencer Lisboa é, sem sombra de dúvidas, uma vitória estrondosa. E daqui podemos retirar ilações. Desde logo, que o país deu um sinal de que percebe bem quem escolhe em cada local. O povo tem uma sabedoria tremenda. E falou.

Vamos passar os próximos tempos a analisar estes resultados. Tenho uma certeza: Carlos Moedas passa a contar (e muito) para o futuro do país. Como? Só ele e as circunstâncias dirão. Mas fica aqui uma reserva do PPD/PSD e do país. Para o que der e vier. É que de Lisboa já saíram Jorge Sampaio, Pedro Santana Lopes e António Costa.

E, por falar em Pedro Santana Lopes, mais uma enorme vitória pessoal. Foi do próprio, e de mais ninguém.

No campo dos vencidos, um PCP que precisa de decidir o seu futuro. Ou rasga com a geringonça ou o país rasga com o partido. Complexa, a equação. E, nos derrotados, a Iniciativa Liberal terá de pensar bem no que fez em Lisboa. Errou, mas pode aprender.

E o jogo virou. A certeza de que Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos estavam de saída foi manifestamente exagerada. Os próximos tempos serão interessantes. Pelo menos em Lisboa, os Novos Tempos vieram para ficar.

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