Opinião

Thank you, Ma’am

Aline Hall de Beuvink


A morte de Sua Majestade a Rainha Isabel II tem ocupado as notícias nos últimos dias. E irá continuar ainda por algum tempo. Porque vimos chanceleres e vários presidentes de grandes potências, até alguns papas, mas só uma rainha do Reino Unido e dos países da Commonwealth. Ela era, ao mesmo tempo, uma pessoa e uma instituição. Enquanto o mundo mudava e as nossas vidas poderiam tomar rumos distintos e nem sempre seguros, havia uma âncora que se mantinha na tempestade. O rochedo que, na aparente delicadeza e quase frágil figura, continuava a conter em si os valores - que muitas vezes, durante a vida, não vemos ser respeitados pelos nossos dirigentes políticos - e a mantê-los como algo inalienável. O seu exemplo de fortitude era a garantia de continuidade desses mesmos valores, que o novo rei, Carlos III, já se comprometeu a defender.

No seu primeiro discurso oficial, Carlos III falou como rei e como homem: seguindo o exemplo da mãe, prometeu dedicar os seus restantes anos de vida ao serviço público. O homem surgiu depois, num discurso afectuoso, perante o lado pessoal da rainha. Consciente de que não poderá mais veicular as suas opiniões políticas, como fez enquanto príncipe de Gales, desde a juventude, espera-se que venha a ser um “rei ecológico”, o que vai conferir uma tónica de modernização a esta nova fase da monarquia britânica. Enquanto não vemos a sua acção reinante, que já parece seguir a manutenção da monarquia através de alguma mudança - a diminuição do núcleo dos working royals é a primeira -, resta-nos reflectir sobre o exemplo da Rainha Isabel II. E, por estes 70 anos de serviço contínuo, thank you, Ma’am.

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