Opinião

Sondagens ultrapassadas

Rubina Berardo


Há uma piada, que diz que a única informação relevante a reter sobre o Estado Sachsen-Anhalt é que temos que o atravessar quando se vai de carro de Hanover para Berlim. É no mínimo injusta para este Estado do antigo Leste alemão. Desde o património romano, passando pelo cerne da Reforma Protestante de Martin Luther, até à fundação do movimento Bauhaus, Sachsen-Anhalt é um Estado com muito para oferecer.

Este fim de semana, por ocasião das eleições regionais, mostrou também que sabe dar uma forte lição política. É fundamental olhar para os resultados eleitorais neste Estado, não só tendo em consideração que foram as últimas eleições antes das legislativas nacionais de setembro na Alemanha, como seguem pressões internas semelhantes a outros meios políticos europeus.

As sondagens colocavam a CDU de Merkel e a AfD da extrema-direita quase em pé de igualdade. Algumas sondagens até davam a liderança à AfD. Contudo o resultado deu que pensar às empresas de sondagem. A CDU ganhou por uma margem de 16% sobre a AfD, mais 10pp que as sondagens prognosticaram, atribuindo ao cristão-democrata Reiner Haseloff mais uma vitória.

É possível que os valores exacerbados a AfD nas sondagens tivessem criado um movimento de corrida às urnas em torno da CDU por parte dos eleitores moderados. Contudo, a grande lição vem mesmo da postura do líder da CDU em Sachsen-Anhalt. Haseloff recusou assumir posicionamentos mais à direita, como muitas vezes ouvimos ser necessário fazer para conter a extrema-direita. Bem pelo contrário – Haseloff distanciou-se claramente da AfD e dessa agenda política extremista, sendo assim um porta-estandarte para a moderação centrista e para a diversidade democrática.

Incorporar extremismos é um engodo para o eleitor, e ele sabe disso. Afinal, para que ir com cópias quando o perigoso original já se encontra à venda no mercado político? Em vez de “federar a direita”, o espectro moderado deve sim insistir nos seus valores democráticos, saber comunica-los com eficácia e assim contornar as sondagens.

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