Opinião

Solidariedade inter-ilhas

Rubina Berardo


Para quem ouve o debate sobre o Orçamento do Estado nas ilhas, muito se debruça sobre as verbas a transferir para os Açores e para a Madeira, e especialmente como estes montantes se comparam entre si.

É muito importante que este debate não resvale para um dog-eat-dog inter-ilhas, de concorrência entre nós pela atenção do governo central. Todos os anos volta-se a sublinhar a necessidade de rever a Lei das Finanças Regionais para evitar estes fenómenos. Já é quase uma tradição e faz parte do folclore da política orçamental.

Tendo em conta a sua expressão financeira e populacional, é fundamental que as regiões autónomas façam uma frente conjunta no contexto da política nacional, mas não só. Também com as outras ilhas Atlânticas da Macaronésia- Cabo Verde e Canárias – existem elos que deviam ser inquebráveis.

Há três semanas que uma destas ilhas – La Palma – está no centro de uma catástrofe crescente devido à atividade vulcânica do Cumbre Vieja. Pelo menos 595 hectares de área da ilha de La Palma já foram afetados pelo fluxo de lava expelida pelo vulcão, causando milhares de afetados e desalojados e imensos prejuízos nas atividades económicas da ilha.

Logo no início da erupção vulcânica, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa expressou a sua solidariedade e o Primeiro-ministro Costa também disponibilizou ajuda para a ilha de La Palma. A preocupação deve ir além dos receios das cinzas vulcânicas chegarem a território nacional. Para além de uma questão de proteção civil, é uma matéria de solidariedade humana.

A meros 460km de distância da Madeira, os habitantes de La Palma são os nossos vizinhos. Solidarizemo-nos com atos também.

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