Opinião

Sócrates prepara a fuga?

Pedro Borges de Lemos


José Sócrates terá de explicar ao tribunal as viagens que fez para o Brasil e das quais não lhe deu conhecimento, como obriga a lei.

Sabemos que José Sócrates, pronunciado por alegadamente ter cometido vários crimes, tem participado em algumas iniciativas ligadas ao Partido dos Trabalhadores, do seu amigo Lula da Silva, e, por essa razão, se tem deslocado ao Brasil. Muitos têm sido os casos, no passado, que não auguram um bom presságio quando os arguidos fogem para terras de Vera Cruz, como foi o caso de Fátima Felgueiras, Duarte Lima e o escandaloso caso do padre Frederico que, depois de ter sido condenado por homicídio e abuso sexual de crianças, fugiu para Copacabana em 1998 e, desde então, vive tranquilamente, sem nunca mais ter prestado contas à justiça.

No Brasil vigora o princípio da não extradição de nacionais, o que pode levar a supor que, caso Lula ganhe este ano as eleições presidenciais, Sócrates venha a obter a nacionalidade brasileira e, uma vez lá, não possa vir a ser extraditado para Portugal. De Lula e de Sócrates podemos esperar tudo, mas o que não se pode esperar é a tolerância e incúria da justiça portuguesa, que decretou a medida de coacção mais leve, o termo de identidade e residência, a um alegado criminoso como José Sócrates, que já poderá estar a preparar uma fuga antes de ser julgado.

A desastrosa maneira como os tribunais têm tratado este assunto é indutora de atitudes de desrespeito perante a autoridade judiciária, como aquela que, num recente artigo de opinião, foi demonstrada pelo próprio Sócrates, que afirmou “não ter mentalidade de servo” e que não tinha obrigação de avisar as autoridades das suas viagens ao país irmão. A justiça deveria dar o exemplo, neste caso, sendo firme e cega.

Como advogado e como cidadão, quero continuar a acreditar na justiça mas, assim, é cada vez mais difícil.

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