Opinião

Sem saber decidir, Portugal não progride

Nuno Carvalho


Nas eleições legislativas será essencial que o país faça uma escolha que tenha também por base o conteúdo programático de cada partido. Na prática, essa escolha incide sobre a concordância ou discordância das políticas que devem ser prioritárias para o país.

Contudo, após a dissolução do Parlamento verifica-se que grande parte do debate político protagonizado está focado na possibilidade de entendimentos pós-eleitorais – ainda que se entenda que, face à actual fragmentação partidária no Parlamento, não deixa também de ser necessário que se discuta o conteúdo programático dessas políticas antes de discutir possíveis entendimentos.

No caso de Rui Rio, esta análise é clara, considerando o conteúdo programático que já apresentou e as prioridades que já estabeleceu, principalmente as de índole reformista.

Ou seja, as propostas de reformas apresentadas por Rui Rio na saúde, educação e justiça têm por base a superação de desafios que o país enfrenta. Deste modo, são claras as prioridades estabelecidas pelo PSD e, simultaneamente, transmite-se clareza ao eleitorado.

A ausência de prioridades programáticas está na origem do problema que conduziu à actual crise política. Os partidos da geringonça não se entenderam sobre os temas que tinham maior profundidade. O Orçamento do Estado não superou a discussão paralela referente à sustentabilidade das pensões e da reforma laboral que o PCP e o BE encetaram com o PS.

Na prática, não foi concretizada qualquer política pública com maior profundidade e característica reformadora nos seis anos de governação do PS com apoio à esquerda. E a maioria das políticas acordadas concentraram-se em “bandeiras políticas” do PCP e do BE, esquecendo uma grande fatia do país que estes partidos não se concentram em representar.

É impossível obter mobilidade social quando as políticas do Governo esquecem uma parte do país. Por esse mesmo motivo, a abrangência da moção de estratégia apresentada por Rui Rio é um dos “gatilhos” para impulsionar um crescimento económico que permita pagar salários mais elevados e aliviar uma classe média esmagada por impostos.

António Costa já demonstrou uma governação de que estão ausentes as decisões fundamentais para o país. Neste momento, é líder de um partido que é o epicentro da crise política à esquerda. A alternativa para o país exige um político preparado, com uma agenda reformista. Portugal não teve decisões claras e fortes nestes seis anos, e sem decisões não há progresso. Rui Rio é, inquestionavelmente, um líder capaz de decidir e fazer progredir Portugal.

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