Opinião

Sem noção e sem pudor

Carlos Reis dos Santos


Ainda não tinha passado um mês da tomada de posse e já o líder parlamentar do PS na Assembleia Municipal de Lisboa abria as hostilidades, afirmando em entrevista que “Carlos Moedas não teve um início
brilhante na câmara”.

É uma atitude típica dos responsáveis do PS: quando são derrotados nas urnas, nunca retiram ilações, nunca admitem os erros cometidos, nunca fazem uma autocrítica, nunca pedem uma desculpa. Para o PS, as derrotas eleitorais nunca são justas. Ou são um acidente forçado por circunstâncias adversas, ou então são um engano momentâneo dos eleitores.

Em Lisboa, só em matéria de habitação, prometeram colocar seis mil novas casas com renda acessível. Nem 400 entregaram. Prometeram entregar mais de 800 casas em regime de arrendamento apoiado, prometendo assim casa a mais de 3000 pessoas. Mas deixaram 2852 famílias pobres e carenciadas em lista de espera, o que corresponde a quase 8000 pessoas pobres e carenciadas sem casa. E poderíamos falar igualmente em matéria de estacionamento, de cultura, de educação, de saúde. Um fracasso colossal de 14 anos.

Lisboa não é caso único. Nem uma bancarrota nem o comportamento de José Sócrates lograram fazer o PS reflectir ou fizeram os seus dirigentes reflectir sobre o seu próprio papel nesse tempo. Mas como poderiam eles assumir o que quer que fosse? Afinal de contas, Fernando Medina foi membro do Governo de José Sócrates e seu porta-voz. António Costa foi seu ministro e seu número dois. Toda a geração actual do PS é filha desse poder. E não admite como natural qualquer condição fora dele.

Não têm noção. Nem pudor.

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