Opinião

Sabemos a que concerto foste no verão passado

Maria Merino


Bom, na verdade não sabemos, mas conhecemos bem esta música e este tom. Ontem o país surpreendeu-se com a notícia de uma deputada do Partido Socialista que queria apagar um registo de uma intervenção do deputado Carlos Guimarães Pinto da Iniciativa Liberal. Falou-se de revolta, de anti-democracia e tudo terminou com um pedido de desculpas do próprio partido socialista, tentando resolver a infeliz intervenção como se assim também se apagasse todo o incidente.

A verdade é que esta atitude pode ter surpreendido o país, mas, estamos certos, de que não surpreendeu ninguém em Portimão. A deputada Isabel Guerreiro é bem conhecida dos portimonenses. Foi presidente da junta de Freguesia de Portimão, foi vereadora da CMP, tendo abandonado esse lugar antes do final do mandato. Nas últimas eleições autárquicas concorreu como cabeça de lista do PS à Assembleia Municipal e é, atualmente, presidente da mesa da Assembleia. É, obviamente, uma figura de sempre do Partido Socialista de Portimão. Tanto assim é que se apresentou às eleições legislativas pelo círculo de Faro tendo sido, como sabemos, eleita deputada.

A prepotência e a tentativa de apagar intervenções também não surpreende ninguém em Portimão. É comum, nas assembleias municipais de Portimão, ouvir a arrogância e a prepotência da senhora presidente da mesa da AM e não é tão pouco comum assim haver confronto aceso de palavras entre a presidente da mesa da AM e deputados municipais dos partidos da oposição. Infelizmente, não podemos consultar as gravações dessas assembleias porque a maioria do Partido Socialista não permite registos multimédia.

Mas esta prepotência não é exclusiva desta deputada. O Partido Socialista governa em Portimão desde 1976. Ao longo destes anos muitos têm sido os episódios de arrogância, prepotência, falta de transparência e até “apagamentos”. Ninguém se esqueceu, quando em 2013, o então vereador do PS de Portimão mastigou e engoliu um papel quando decorriam buscas da polícia judiciária em sua casa. O vereador acabou absolvido por não se conseguir apurar a relevância do documento desaparecido...

No último verão, decorria em Portimão o evento “Parlamento Europeu à Sua Porta”, um evento público e, supostamente, para o público. Nesse evento, a Presidente da Câmara de Portimão foi a protagonista, quando decidiu que o público que assistia não podia proferir opinião porque esta era contrária à sua. Este episódio circulou nas redes sociais e demonstra bem a forma como o PS e os seus representantes respeitam a opinião do povo.

Aliás, a presidente da Câmara de Portimão muito tem sido criticada por faltar sistematicamente às sessões da Assembleia Municipal de Portimão, mesmo após a validação de datas, mostrando a total falta de vontade de ser escrutinada pelo órgão autárquico que fiscaliza o desempenho do seu executivo.

Esta é a música que o Partido Socialista em Portimão toca todos os dias para os seus munícipes. Ontem, toda a gente pode ver a tentativa do Partido Socialista de obliterar a realidade. A deputada Isabel Guerreiro tentou levar para a Assembleia da República aquilo que é prática comum em Portimão. Felizmente não teve sucesso. Esperemos que em Portimão se perceba que isto não é uma prática aceitável num país democrático.