Opinião

Riscos

Afonso Fuzeta Eça


Antes de sermos atacados por colunas com balanços do ano e perspectivas para o ano seguinte, antecipo-me e falo hoje sobre os riscos que me parecem mais relevantes para o próximo ano económico (nas próximas semanas tratarei das oportunidades). Destaco quatro riscos para 2022: (1) novas vagas da pandemia, (2) inflação, (3) geopolítica e (4) transição verde. (1) Alguns países europeus estão em novas vagas de confinamento e o potencial aparecimento de novas variantes que fragilizem os processos de vacinação será sempre um risco para a actividade económica. (2) O debate sobre as pressões inflacionistas continua. Será que a inflação vai ser temporária ou estamos perante um choque que necessita de resposta, com um consequente aumento das taxas de juro? Conseguirão famílias e empresas suportar este aumento de taxas de juro, dado os níveis elevados de endividamento? Como vão reagir os preços dos activos? (3) O risco geopolítico, concretamente a tensão permanente entre os grandes blocos Europa, Estados Unidos, China e Rússia, parece estar em níveis acima da média, com consecutivos episódios de choque (ex.: crise de migrantes na fronteira europeia, tensões comerciais entre China e Estados Unidos, tensões no espaço com a Rússia, o problema de Taiwan) que vão sendo ultrapassados, mas deixando sempre algum lastro no potencial de crescimento. (4) O preço a pagar pela transição verde vai ser elevado e as alterações ao nosso modo de vida serão inevitáveis. Será que 2022 marcará o início desta consciencialização económica alargada? Termino com um aviso: como em todos estes exercícios, provavelmente, o risco mais relevante que se materializará não é nenhum dos acima listados.

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