Opinião

Responder às lesões no Mundial

A medicina desportiva passou de uma posição reactiva à lesão e à doença para uma atitude pró-activa. O departamento médico de uma equipa como a selecção nacional deve ser dinâmico e integrado para proteger a saúde dos nossos campeões.

Luís Moreno


A emoção do Mundial de futebol está de volta e Portugal pára para ver e apoiar a nossa selecção. O futebol é uma paixão nacional e, em tempos de Mundial, mais ainda. Todos somos adeptos, todos vibramos, todos gritamos, todos nos emocionamos. E a equipa médica que está no banco a ver o jogo, na primeira linha, não é diferente. Afinal, todos queremos ver a bola no fundo da baliza, todos queremos ganhar.

Só que, além deste lado emocional, à equipa médica exige-se frieza, racionalidade, competência, sensibilidade e ética profissional na hora de entrar em campo para avaliar o jogador que acaba de se lesionar e tomar decisões – decisões que muitas vezes, no calor do momento, não são fáceis nem consensuais. Acima de tudo exige-se a protecção da saúde do atleta. Mas esta é apenas a face mais visível, sexy e mediática do papel do médico de equipa.

Há muito que a medicina desportiva deixou de se resumir a tratar as lesões e mazelas resultantes da prática desportiva. Tempos vão em que Cláudio Galeno, considerado por muitos como o pai da medicina desportiva, se destacava de forma notável na arte de curar feridas e estancar hemorragias nos gladiadores, os atletas mais famosos na Roma Antiga, permitindo o seu regresso à arena.

Hoje, à semelhança de toda a medicina, a medicina desportiva passou de uma postura reactiva à lesão e à doença para uma atitude pró-activa. Actualmente, o departamento médico de uma equipa deve assumir um papel dinâmico e de interacção das decisões com a equipa técnica, preparadores físicos, fisiologistas, entre outros. Além de manter o seu core – que é o tratamento das doenças e das lesões –, tem um papel fundamental na prevenção de lesões e doenças, na gestão das cargas de treino, na recuperação do esforço, na nutrição, no apoio psicológico, por exemplo.

A medicina desportiva distingue-se hoje por ser uma especialidade de competências multidisciplinares com o objectivo de proteger a saúde do atleta, no sentido de lhe permitir estar apto e capaz de treinar e jogar na plenitude das suas capacidades durante o maior tempo possível da época e da carreira desportiva. Este papel não se limita apenas aos atletas de alta competição: a intervenção da medicina desportiva é fundamental na saúde e performance de todos os atletas, desde os recreativos aos profissionais – sendo um aliado na avaliação da aptidão e orientação da actividade física para qualquer candidato a campeão, exactamente como acontece com os da nossa selecção.