Opinião

Prendam os doentes

Joana Amaral Dias


Após dez meses a injectar medo em estado líquido directamente na massa cinzenta dos portugueses, 24 horas por dia, sete dias por semana, em Janeiro de 2021 foi-lhes prometida a salvação. As chamadas vacinas covid foram então vendidas como de máxima eficácia, 98% para cima, fim das mortes por SARS-CoV-2, terminus da pandemia garantido. Pretendia-se uma mensagem simples: vacina-te e pronto. Nada de complicações. Nada de perguntas, sequer. Quem colocasse qualquer questão, dúvida, braço no ar, logo era apodado de chalupa ou negacionista. No mínimo, porque não faltaram pseudodemocratas e supostos progressistas a dar roda de assassinos aos não vacinados e a desejar-lhes abertamente a morte (ainda andam por aí). Agora, em Abril de 2022, com 92% da população vacinada, 59% com a dose de reforço, registaram-se 547 mortes atribuídas à covid. Em Abril de 2021 foram apenas 117 destes óbitos e a população “inoculada” não chegava aos 10%. Claro que as explicações, agora, já não são simples e já se admitem muitas complicações. Que remédio. Diz-se que, supostamente, nunca se apregoaram estas injecções como preventivas do contágio, mas apenas de doença grave (o que é mentira e qualquer básica pesquisa na net a confirma), que agora há mais mortes porque há mais infecções e que, se as vacinas protegem da morte (agora é só isso), quem está a morrer não é vacinado. Aqui é que a porca torce o rabo. Primeiro, no início, ninguém falou de intermináveis doses. Depois, ainda que os critérios para se considerar “não vacinado” sejam uma balela (sem dose de reforço pode não dar, por exemplo), não há evidência de que sejam os que recusaram a agulha que morrem mais. Aliás, números DGS é uma piada. Pior: esta variante não era mais ligeira? Então, mesmo assim, com quase toda a gente vacinada e uma mutação menos agressiva, não seria de esperar menos óbitos, e não quatro vezes mais mortes, como se verifica?

Há também quem atribua estes números à diminuição das medidas restritivas – ainda que vários estudos antigos e recentes apontem para a inutilidade de máscaras e de confinamentos. Trata-se de uma falsa correlação; caso contrário, o que dizer dos países que já tiraram a dita protecção facial há muito mais tempo? Igualmente, há quem insista que, mesmo assim, a letalidade é menor, esquecendo-se de que um grande número dos mais frágeis já partiram e que a imunidade natural, depois de quase todos terem contactado com este coronavírus, também fez o seu caminho.

Certo é que estas chamadas vacinas estão a anos-luz da terra prometida e que Portugal é o país mais vacinado e também o que tem mais casos, sendo o nono do mundo inteiro com mais mortes. Pelo contrário, são cada vez mais os cientistas e os órgãos de comunicação social que reconhecem o verdadeiro sucesso da estratégia sueca que, depois de ser dada como negligente e até tresloucada, é avaliada como eficiente, inclusive quanto ao excesso de mortalidade. Mesmo assim, o projecto de lei de emergência de saúde pública agora enviado ao Parlamento português prevê dois anos de prisão para quem quebre o isolamento. Eis o retumbante êxito da ditadura sanitária. Vai ficar tudo bem.

Teste rápido

O petróleo está ao preço de 2014. Mas sabe quanto subiram os combustíveis desde então?

(Resposta: 40%)

Autoteste

O acórdão do Tribunal Constitucional que proibiu as operadoras de guardarem os metadados das comunicações com efeitos retroactivos a 2008 foi:

1 - Para proteger corruptos e criminosos sortidos porque é impossível investigar sem dados de comunicações, e até criar uma elefantíaca amnistia;

2 - Para proteger as liberdades, direitos e garantias dos cidadãos;

3 - Porque os deputados estão a dormir na baliza e, em vez de legislarem atempadamente, protelaram até chegar uma decisão implacável do TC;

4 - Porque são necessários vários bons pretextos para avançar com uma revisão constitucional que enfraqueça ainda mais a democracia;

5 - Porque quantas mais machadadas na confiança dos cidadãos na justiça, melhor; o que interessa é descredibilizar as instituições.

Antigénio

O Chega critica muito os biltres do familygate socialista, apresenta projectos para o combater, mas pratica o nepotismo sem pejo. Tem dezenas de casos espalhados pelas várias estruturas locais e nos próprios órgãos nacionais. Já tinha sido revelado o caso do pai assessor de Rita e ficámos a conhecer a teia de descendentes, ascendentes, sobrinhos, tios, cunhados e compadres. Conhecia-se de cor a lógica do “bem prega frei Tomás” de André Ventura, que se diz anti-sistema mas anda sempre de braço dado com o dito cujo. Mas esta parentela põe a nu o “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”.

Progénio

O caso do exemplar Metro do Porto devia ser ponto de reflexão: ao contrário do estrangulamento feito pela burocracia no desenvolvimento de tantos transportes em Portugal, entre o seu planeamento e a execução decorreu um tempo muito curto. Tal deveu-se ao facto de ter sido um dos projectos mais descentralizados de Portugal, controlado pelos municípios da Área Metropolitana do Porto, e não pelo Estado. A reter.

PUB>