Opinião

Porque não entusiasma o PSD?

Eduardo Baptista Correia


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Até os portugueses menos interessados em política já há muito concluíram quanto à fragilidade, incompetência e embrulhada que o actual governo da nação representa.

Este governo é evidente candidato a pior governo do século XXI. Tenho a plena convicção de ser esta a apreciação da maioria dos portugueses. Os portugueses estão certamente de acordo com a maioria das críticas e diagnósticos realizados pelos diferentes agentes porta-vozes das forças políticas da oposição. À ausência de políticas reformistas, da reforçada constatação da inferior velocidade de desenvolvimento quando comparada com outros países europeus que, até há relativamente poucos anos, estavam atrás dos índices de desenvolvimento de Portugal, adicionamos a recente enxurrada de casos de incompetência, favorecimento, distracção e irresponsabilidade que afectam uma parte relevante da área de influência do governo socialista.

Os portugueses têm todas as razões para estarem muito preocupados, para se sentirem indignados e receosos. Pior governação é possível, mas reconheçamos que é difícil angariar tanta trapalhice, descrédito e indícios de más práticas em tão pouco tempo.

Na realidade, estão criadas todas as condições para que uma alternativa ganhe o espaço de confiança e entusiasmo em que os portugueses se revejam, possam aderir e participar.

A história da democracia mostra-nos uma clara alternância com o PSD.

Seria natural e desejável, se a História pudesse repetir-se, que estivesse agora presente o espírito que levou Sá Carneiro, Cavaco Silva, Durão Barroso e Passos Coelho a ganharem a confiança dos portugueses e, consequentemente, ganhar eleições. Infelizmente, a evidência mostra que assim não é. Os portugueses não aderiram, na minha apreciação por razões óbvias, à proposta de liderança anterior, tal como é evidente - e, quanto a mim, por razões também elas óbvias - não estarem a aderir à proposta política da actual liderança.

É fundamental que o PSD entenda que necessita de uma proposta política substancialmente mais robusta e credível para captar a confiança e o entusiasmo dos portugueses.

Se, até há pouco tempo, esse facto podia exclusivamente ser imputado à ausência de propostas reformistas, mais recentemente, e com a divulgação pública dos casos de más práticas que envolvem o passado do actual presidente, a hipótese de uma diferenciação positiva ficou extremamente dificultada. A actual liderança do PSD tem, efectivamente, aos olhos dos portugueses, uma enorme dificuldade em se distinguir, no estilo e na abordagem, da péssima performance socialista. Sofre de uma enorme crise de credibilidade. Essa é a razão pela qual o PSD não capta, não entusiasma, não convence e não se constitui como uma alternativa em que os portugueses possam confiar. É tão evidente, na causa e consequência, que considero estranho e repreensível o apoio interno que a maioria das figuras com maior peso e notoriedade dentro do partido presta à actual liderança.

Pensar no futuro do PSD é, acima de tudo, pensar no futuro dos portugueses.