Opinião

Porquê Jorge Moreira da Silva?

Joana Barata Lopes


Em 2016, no final de uma sessão plenária, os deputados felicitavam o Jorge Moreira da Silva, expressando orgulho por um reconhecimento que todos sentiam também como seu: ia assumir funções na OCDE, enquanto director da Cooperação para o Desenvolvimento. E eu, que partilhava do orgulho pelo reconhecimento do mérito e do trabalho apresentado, só consegui dizer-lhe: “Nós vamos precisar que regresse.” E o Jorge respondeu-me com igual clareza: “Nunca deixarei de estar presente e regressarei no momento em que seja útil ao PSD.”

De facto, não deixou de estar presente. E foi pensando o país através da sua plataforma, levando-me a mim e a tantos outros. E agora chegou o momento de servir o PSD na sua forma mais desafiante: liderando-o.

Hoje é o tempo da liderança do Jorge Moreira da Silva. Porque hoje, mais do que nunca, é preciso que o líder do PSD seja aquele que une e que tem uma visão clara para o futuro dos portugueses e para o lugar que Portugal tem de ocupar na Europa e no mundo. Que saiba o país que quer daqui a dez, 20 ou 30 anos e o caminho a percorrer: na correcção dos erros da governação socialista, por um lado; por outro, na definição de medidas concretas para a realização de uma visão sustentada e sustentável para um Portugal de brio e valor.

As últimas eleições legislativas ditaram uma mudança no panorama político português – e não perceber a necessidade de actualizar e modernizar aquilo que somos é não estar à altura do que os portugueses merecem e a nossa identidade social-democrata exige.

Não é o tempo do slogan, é o tempo de uma clareza programática que tenha tanto de densa como de concretizável – a única forma séria de desmascarar o populismo, afirmando um sonho que vença discursos fáceis e volte a ser popular.

É o tempo de provar que não estamos cristalizados; que não existimos como partido porque precisamos de lugares para distribuir. É o tempo do PSD que permite que os seus militantes respondam ao desafio de reinvenção que é exigido por uma sociedade em movimento – permitindo-nos ser voz, instrumento e caminho para que os portugueses reconquistem o seu direito ao futuro.

As próximas eleições directas do PSD têm esta carga. O partido precisa de mudar de vida e ir direito ao futuro. Abrir-se e perceber a sociedade, afirmar com clareza ao que vai e fazer sonhar. E os quatro anos que se seguem são tempo que não podemos desperdiçar.

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