Opinião

Ponto de fuga

Rui Rocha


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Quinta-feira, 15

Ministro do Ambiente e Acção Climática, responsável pelo atingimento das metas de descarbonização da economia, apanhado a 200 km/h numa viatura a gasóleo. Por este andar, um dia destes ainda vamos ver o ministro da Administração Interna, responsável pela área da sinistralidade rodoviária, a circular a 230 km/h ou assim.

Sexta-feira, 16

Governo quer Lufthansa no capital da TAP para assegurar sinergias e viabilizar plano de reestruturação. Primeiro, nacionalizam a TAP porque Deus nos livre de não termos companhia de bandeira e é preciso manter postos de trabalho. Depois lançam um despedimento colectivo. E, agora, querem vender a capitalistas alemães a preço de saldo. É isto? De facto, o espectáculo é carote. Mas os pantomineiros são de qualidade.

Sábado, 17

Depois de Ana Paula Vitorino ter tentado forçar alterações no relatório da sua própria audição no Parlamento, Cabrita é acusado de ocultar factos no caso do Sporting. Os serões do simpático casal devem ser animadíssimos. “Então o que fizeste hoje, Dudu?” “Ocultei factos, chuchu. E tu, Aninhas?” “Tentei manipular relatórios, pudinzinho de leite. Ahahahah!” “Eheheheh! Amo-te, torrãozinho!” “Adoro-te, pão de mel!”

Domingo, 18

Medina compra passe de Rui Tavares. O Livre facilita porque Tavares está em fim de contrato. Assim, o partido sempre recebe alguma coisa. Para Medina, também é mais barato do que gastar em ambientador para disfarçar o piquinho a azedo que ficou a pairar depois do caso dos activistas. Medina ganhando, Tavares fica com o pelouro dos Direitos Humanos. Chama-se assim porque vereador do Branqueamento das Responsabilidades Políticas era muito comprido.

Segunda-feira, 19

Tentativa suja de desacreditar Paulo Rangel tem efeito contrário. A divulgação de imagens do eurodeputado num momento em que circulava com certa inclinação política numa rua de Bruxelas acaba por gerar onda de solidariedade nas redes sociais e permite concluir que, mesmo assim, encosta muito menos à esquerda do que Rui Rio.

Terça-feira, 20

PS, BE e PAN chumbam proposta de revogação do artigo 6.º da Carta dos Direitos Digitais. Está aberta a porta à monitorização da opinião política online e à acreditação pelo Governo de estruturas de certificação da informação através de lápis azuis, digo, de selos de qualidade. Sorria, cidadão. O meio-irmão de Ricardo Costa pode estar a observá-lo.

Quarta-feira, 21

Costa comparece no Parlamento para o debate do estado da nação. O primeiro-ministro fala do “Plano de Recupação e Resilênça”. Das “plíticas dabitação”, do “ralojamento”, da “priridade da calificação prefissonal”, das rendas “cessíveis”, dos “cussos” humanos, da “fecência negética”, da “contividade” e da “recupação das pendizagens”. Costa vive num país interessante. É pena nenhum de nós saber onde é.