Opinião

Ponto de fuga

Rui Rocha


Quinta-feira, 8

Luís Filipe Vieira detido no âmbito da Operação Cartão Vermelho. Há claramente um antes e um depois deste processo na sociedade portuguesa. A partir de agora, sempre que alguém disser que o Costa que era o número 2 de um líder que foi detido acabou por ficar-lhe com o lugar, teremos de perguntar se estão a referir-se ao Rui ou ao António.

Sexta-feira, 9

Publicada legislação que obriga à realização de teste para permanecer, durante o fim-de-semana, no interior dos restaurantes dos concelhos com risco mais elevado. A restrição não abrange cafés e pastelarias, desde que não seja consumida uma refeição. Não sei se acontece com o leitor, mas eu sinto aqui a falta de uma estrutura de missão que esclareça se o prego no pão e a bifana são considerados repasto.

Sábado, 10

Rui Costa assume formalmente a presidência do Benfica. A realidade está cada vez mais complexa. Temos agora três papas (Francisco, o Emérito e Jorge Nuno Pinto da Costa), dois presidentes do Benfica (o autoproclamado e o auto-suspenso), três delfins candidatos à sucessão de António Costa e vários “Reis dos Frangos”.

Domingo, 11

Luís Filipe Vieira mantém-se em prisão domiciliária até pagar a caução fixada pelo juiz Carlos Alexandre, que é, recorde-se, a segunda mais alta da História. Veja-se que a um tipo que só tem um palheiro pediram 3 milhões de caução. E a outro, que tem apenas uma garagem, exigiram 5 milhões. É para se ver como o mercado imobiliário está inflacionado.

Segunda-feira, 12

Governo suspende nomeação de Vítor Fernandes como chairman do Banco de Fomento. É boa ideia. É preciso mais tempo para avaliar se alguém com relações muito próximas com Vieira tem condições para merecer a confiança quer do primeiro-ministro, que teve de ser afastado da Comissão de Honra pelo próprio candidato, quer do governador do Banco de Portugal, que andava a pedinchar bilhetes para assistir aos jogos do Benfica.

Terça-feira, 13

Cubanos continuam a protestar contra a miséria e a falta de liberdade. É gente pobre e mal-agradecida. Não é que o Partido Comunista de Cuba tenha má vontade. É preciso perceber que desde que o Fidel depôs o outro traste, o Batista, só passaram 60 anos. Há sempre tanta coisa para tratar que não deu tempo para fazer eleições.

Quarta-feira, 14

PCP anuncia manifestação de apoio ao regime cubano. Os nossos comunistas, liderados pelo bom Jerónimo, estão sempre disponíveis para apoiarem toda a sorte de crápulas, tratantes, velhacos, ditadores sanguinários, repressões e violações dos direitos humanos. Para isso e para, honra lhes seja feita, viabilizarem os Orçamentos do Costa.