Opinião

Picos e competências, ou a falta delas...

Eduardo Baptista Correia


Pico 1

O tema da segurança nacional integrada veio à ordem do dia com o caso protagonizado pela Câmara de Setúbal no respeitante à segurança dos dados relativos a refugiados ucranianos junto de cidadãos russos suspeitos de trabalharem para os serviços de informação. A situação não é propriamente nova. Não foi assim há tanto tempo que a Câmara de Lisboa, na altura liderada por Fernando Medina, forneceu aos serviços de informação da Federação Russa dados de opositores residentes em Portugal. Neste caso, importa esclarecer a razão pela qual a Câmara de Setúbal permitiu que tenha acontecido. Negligência e incompetência, ou premeditação e conluio? Em face das posições que o PCP tem vindo a tomar relativamente à invasão russa, a hipótese, absolutamente repugnante, de premeditação não é descabida de todo. Fundamental é o esclarecimento. Noutra dimensão, mais importante ainda, verificamos que o processo interno de troca de informações de apoio à tomada de decisão em matérias em que a rapidez e a agilidade contam não funciona adequadamente. Neste aspecto absolutamente central para a eficácia da segurança nacional, está evidentemente demonstrada a falta de responsabilidade e cuidado do Governo em matérias de segurança tão relevantes para os cidadãos. Apenas mais um pico do iceberg da falta de competência crónica da governação do PS.

Pico 2

Do ponto de vista da gestão, olho para o Benfica e identifico uma das marcas portuguesas com maior notoriedade a nível nacional e internacional. Os seus feitos e conquistas são notórios e os impactos dos seus resultados na qualidade de vida e bem-estar de milhões de pessoas em Portugal e no mundo, essencialmente na lusofonia, são por demais evidentes, pelo que não são necessárias razões adicionais para reputar o tema da gestão do SLB de demasiado sério para ser tratado com a aparente simplicidade com que, nos últimos tempos, aparenta estar a ser.

Nota 1: Este argumento inicial é válido para qualquer clube desportivo e não constitui exclusividade do Benfica. Na minha opinião, é evidente a escassez de formação e experiência em gestão técnica e humana que deveriam distinguir e qualificar tão importante função de gestão. É uma boa demonstração da trapalhada interpretativa entre capacidades, competências e méritos. Nunca houve nem haverá uma correlação directa entre a competência desportiva e a competência na gestão, e, a bem da qualidade de vida de milhões de pessoas, seria sensato que o SLB entendesse rapidamente que necessita de reconhecer este pequeno grande detalhe e introduzir as necessárias alterações às suas regras de corporate governance.

Nota 2: Não sou benfiquista nem adepto ferrenho de qualquer clube desportivo. Sou apenas adepto ferrenho do mérito, da boa gestão, dos bons resultados.

Nota 3: Aprender com os erros dos outros é sinal de grande inteligência e perspicácia. Não foi há tanto tempo assim que o Sporting também embarcou numa trapalhada interpretativa entre capacidades, competências e méritos. Aquele caso serve também para relembrar que nunca houve nem haverá uma correlação directa entre o fanatismo clubista e a competência na gestão. Estas organizações necessitam de bons técnicos desportivos, bons atletas, boa massa associativa e bons gestores. Não peçam a uns para desempenharem o papel dos outros. Tendencialmente, corre mal...

PUB>