Opinião

Pandemia: a outra face da moeda

Bruno Vasconcelos


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O ano de 2020 ficará marcado na história da Humanidade por causa da terrível pandemia que nos assombrou, retirando vidas de desconhecidos, de amigos e muitas vezes de familiares. Também criou uma grave crise e aumentou a fome, por enquanto pouco visível e controlada pela ilusão das moratórias. Limitou ainda as nossas liberdades e garantias, criando medo e desconfiança do futuro.

Mas nem tudo foi negativo nesta pandemia. Há sempre a outra face da moeda. Presenciámos um salto tecnológico, de pelo menos dez anos, levando as empresas a acelerar o processo da transição digital. Foram muitas as organizações que se viram forçadas a mudar o conceito do trabalho e mesmo a sua localização. O trabalho remoto, mais conhecido agora por teletrabalho, e as reuniões através de Zoom ou Teams passaram a ser parte do quotidiano de muita gente.

Isto permitiu às famílias a oportunidade de ganhar qualidade de vida, usando o tempo que deixaram de perder nas deslocações para os seus empregos para estarem junto das suas famílias e amigos aproveitando para fazer outras atividades, algo que, outrora, com a azáfama do trânsito e da vida em geral, se tornava difícil.

Ganhou-se uma maior consciência e preocupação com o local onde se vive e procurou-se locais onde as famílias pudessem crescer em segurança e com as devidas comodidades. Assim, as periferias ganharam a oportunidade única de evoluir ao ponto de deixarem de ser apenas um dormitório.

Com a conhecida bolha imobiliária em Lisboa, e também nos Concelhos à sua volta, a Margem Sul tornou-se um local apetecível para viver, tanto pelos preços das habitações, como pelas suas generosas áreas, difíceis de igualar na capital. O Concelho do Seixal não ficou de fora desta crescente procura por “casas maiores por preços mais acessíveis”, seja pela sua localização privilegiada, perto das praias mais requisitadas da Área Metropolitana de Lisboa, a pouco mais de quinze minutos da capital, seja pela sua zona ribeirinha, de excelente qualidade natural e com um grande potencial.

Mas é preciso mais para que o nosso Concelho seja ainda mais atrativo e também mais amigo das famílias que já cá residem.

É preciso mais e melhor emprego qualificado, com a captação de investimento privado. Melhor mobilidade. Mais segurança. Sem bairros de lata. Mais espaços verdes. Mais zonas de lazer para as nossas crianças. Mais espaços públicos cuidados e arranjados com a regularidade necessária e não apenas em época de eleições. Mais transparência na forma como os nossos impostos são usados. Menos impostos municipais. Um Concelho mais amigo do ambiente. Uma saúde de proximidade com a aposta em novos centros de saúde.

Para isto é preciso uma mudança de paradigma daqueles que nos governam há 45 anos ininterruptos.

A mudança é agora! Nas próximas autárquicas há uma oportunidade única de deixarmos a Sovietização a que o Seixal ficou agarrado e termos um Concelho “smart”, com futuro e com igualdade de oportunidades para todos, para os que se mudaram para cá, para os que ainda se vão juntar a nós e para os que são da terra desde sempre.