Opinião

Orçamento caça-níqueis

Constança Martins da Cunha


O Governo entregou há pouco mais de 24 horas a proposta de Orçamento de Estado para 2022 e, muito embora nos primeiros minutos a narrativa oficial tenha sido altamente difundida, dando a comunicação social subalterno destaque a um orçamento “amigo” do contribuinte (como se houvesse uma diminuição expressiva da tributação sobre os rendimentos), depressa os especialistas chegaram à conclusão que os portugueses em 2022 vão pagar ainda mais impostos, através das já habituais taxas e taxinhas e que a previsão de receita fiscal aumenta até significativamente em comparação com anos anteriores.

Tal surpreenderá apenas os mais crédulos, pois obviamente a política financeira que tem sido seguida pelo Governo socialista parece basear-se no modelo de negócio das máquinas caça-níqueis: sugar os rendimentos dos jogadores e ir-lhes dando uns prémios de vez em quando com luzes e música para os convencer que estão sempre a ganhar.

É preocupante, num momento em que o país começa a recuperar aos poucos do impacto da pandemia, agravado pela subida evidente do custo de vida nos últimos meses, face ao aumento do preço das matérias-primas e dos custos de transporte, e em que se avizinha uma grave crise energética que pode atingir o país, o Governo se mostre mais interessado em truques baratos de ilusionismo do que na definição, que se impunha, de uma política orçamental que possa suportar e relançar a economia do país. Temos a habitual demonstração de falta de visão, estratégia e competência.

Enfim, também não era de esperar senão mais do mesmo...

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