Opinião

Ocean Viking: imigração ilegal

Telmo Correia


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O Ocean Viking é um navio da organização não governamental europeia SOS Méditerranée, com pavilhão norueguês, que recolheu 234 migrantes e, depois de uma longa navegação, foi proibido de atracar em Itália. Acabou por atracar e desembarcar os seus passageiros em França, depois de receber, “a título excepcional”, autorização para o efeito do governo de Emmanuel Macron.

A história do Ocean Viking é importante para percebermos que a Europa está, de novo, debaixo de uma grave crise migratória para a qual não tem resposta eficaz.

Este episódio criou uma crise e uma tensão significativa entre o novo governo de direita italiano de Giorgia Meloni e o governo de Macron, com a França a pedir a condenação da Itália e a denunciar os acordos de cooperação entre os dois países que previam a transferência de 3500 migrantes de Itália para França. Convém lembrar que a Itália foi deixada sozinha durante muito tempo e que Macron tinha recusado, numa situação análoga, que o navio Aquarius atracasse em França, sendo, por isso, acusado de hipocrisia.

O líder dos republicanos no Senado, Bruno Retaillaud, classificou a decisão de Macron como uma irresponsabilidade e não foi dos mais duros na crítica. Além da clivagem entre a França e a Itália, a decisão acabou por criar uma clivagem absoluta entre a esquerda e a direita, com a esquerda a aplaudir e a direita a condenar de forma unânime - o que constitui um problema extra para o Presidente francês, que ficou bem mais longe de um possível acordo com a LR, indispensável para uma maioria estável de governo no Parlamento.

O ponto é saber se, de um ponto de vista humanista, a abertura dos portos europeus à imigração ilegal não será senão o agravamento do problema. Desde logo, porque cria a ilusão de que é possível resolver a crise migratória abrindo as portas da Europa a todos os que a demandarem.

E se não é possível ser-se indiferente ao destino de desgraçados que têm a vida em risco à deriva no Mediterrâneo, também não podemos ignorar que eles são sobretudo vítimas de redes criminosas que actuam como verdadeiros negreiros dos tempos modernos, atirando-os para a morte ou, então, para que estas ONG completem o seu trabalho, colocando-os em solo europeu. A coberto de boas intenções, estas ONG acabam por ser cúmplices úteis das redes de imigração ilegal. A consequência é o desvirtuamento do direito de asilo, generalizando-o aos migrantes económicos.

A resposta à imigração ilegal não é a Europa de fronteiras abertas nem a Europa-fortaleza, mas sim a imigração legal e regulada, num plano europeu.