Opinião

O Príncipe: Chalana

Fernando Chalana partiu cedo, aos 63 anos, neste dia 10. Um número que parece segui-lo como destino: nasceu a 10 de Fevereiro e foi um dos números 10 mais marcantes.

Telmo Correia


Nas muitas declarações de homenagem que se têm seguido à triste notícia do seu falecimento prematuro, Fernando Chalana é sistematicamente referido como um dos melhores de sempre do futebol português. Mas, na verdade, ele era mais do que isso: Chalana é um dos melhores de sempre do futebol mundial. Era um dos nossos, portuguesinho de gema, mas, sem exageros e em termos de talento puro, se fosse argentino era Maradona ou se fosse brasileiro era Garrincha... Esse é o seu patamar, o dos grandes génios do futebol global.

Para os benfiquistas em particular, para os que, como eu, tiveram a felicidade de o ver jogar semana após semana, Chalana será sempre uma memória feliz e inesquecível.

Para nós, benfiquistas, se Eusébio é único, e por isso é o Rei, Chalana será sempre o nosso Príncipe!

Mas foi bonito ver a forma como “o pequeno genial” foi homenageado por adversários e por rivais, com destaque para as mensagens verdadeiras de Sporting e Futebol Clube do Porto.

A este facto não será estranho o que ele representou para o futebol nacional e para a equipa das quinas, cuja memória mais forte é a do Europeu de 1984, em que Chalanix, como ficaria conhecido a partir do brilho em terras gaulesas, foi a figura maior, apesar da concorrência de Platini, entre outros.

Mas também a sua personalidade e a sua forma de estar enquanto homem do futebol.

Quem o conheceu pessoalmente recordará a sua forma simples de estar. Chalana, sendo um dos melhores de sempre, era o contrário daqueles que se deixam dominar por tiques de vedetismo. E foi sempre assim. Foi assim quando foi feliz, mas também quando passou por dificuldades, por lesões e, nesta fase final, na iminência da doença e do fim.

Foi com essa personalidade que ele marcou gerações como jogador, como treinador de formação ou adjunto, bastando ver o carinho com que a ele se referem grandes jogadores que viram nele o exemplo e a fonte de inspiração, como é o caso do presidente do Benfica, Rui Costa, mas também de Paulo Futre ou de Bernardo Silva.

O Benfica seguramente protegerá a sua memória, mas cabe também à Federação Portuguesa de Futebol fazê-lo. E, já agora, era bom que a RTP, que possui seguramente um arquivo notável, o disponibilize para que possamos recordar o seu talento imortal.

Quem ama o futebol, ama o futebol de Chalana. Descansa em paz, Príncipe Chalana.

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