Opinião

“Ó Pátria Mãe”

André Pardal


Passados que estão 6 anos de governação socialista (saberemos, brevemente, se efetivamente terminam nos próximos dias), qualquer que seja o prisma de análise, uma certeza existe: foram um desastre na Defesa Nacional!

Mas, e porquê? Será pela crónica falta de Recursos (humanos, materiais e financeiros)? Pelo desinvestimento (financeiro e político)? Pelas contínuas (de há 30 anos) e nunca terminadas reformas das Forças Armadas? Não só, mas também...

Os dois titulares socialistas do cargo não deixarão – certamente – saudades. De polémica em polémica (todas evitáveis) conseguiram tornar a institucional e serena, área da Defesa Nacional, no alvo da “chacota nacional”. O País, e as suas Forças Armadas, não mereciam tal desconsideração, como se provou – aliás – tanto no apoio às tragédias provocadas pelos incêndios de 2017, como na recente eficaz gestão do processo de vacinação.

Começando, poucos meses depois da sua tomada de posse, logo em abril de 2016, com a tentativa (ilegal) de interferência do Ministro Azeredo Lopes na cadeia de comando do Exército, a propósito das declarações a um jornal de um (pasme-se) - à época – Tenente-Coronel Subdiretor do Colégio Militar, que originou a (primeira de duas, nestes 6 anos) demissão do Comandante do Exército, General Jerónimo.

Seguiu-se, em setembro de 2016, o infeliz caso das “Mortes no Curso de Comandos”, onde o sempre voluntarioso Ministro Azeredo Lopes, atabalhoadamente e antes de qualquer apuramento de responsabilidades (para mais uma vez ficar bem com os seus parceiros da “Gerigonça”) suspendeu, de imediato e ao arrepio da estrutura do Exército, todos os Cursos de Comandos previstos ou em andamento.

O epílogo do Ministro Azeredo Lopes deu-se com o chamado caso do “assalto aos Paióis de Tancos”, em que numa situação de enorme embaraço para o Exército (pela quebra de segurança gritante) o Ministro conseguiu não só interferir numa investigação judicial, como participar num encobrimento e guerra de capelinhas entre PJ e PJM, que culminou com a sua própria demissão (após acusação do MP), seguida do Chefe do Estado-Maior do Exército, General Rovisco Duarte, em outubro de 2018.

Já com o Ministro Cravinho filho em funções (há mais de 3 anos) o atabalhoado registo manteve-se.

Desta forma, a Marinha ficou – no início de 2020 - sem o Navio Reabastecedor de Esquadra “Bérrio”, impossibilitando desde então, por exemplo, uma operação de resgate de cidadãos portugueses como aconteceu em 1998, na Guiné-Bissau.

No domínio financeiro, e na melhor arrogância característica socialista, continua por esclarecer aos portugueses a “derrapagem”, de 750 mil para 2,6 milhões de euros, nas obras de adaptação do ex-Hospital Militar de Belém.

Há um ano recomendou (na sua maior obsessão) aos Ramos das Forças Armadas e numa Diretiva entretanto anulada, a adoção de linguagem inclusiva, completamente paternalista e incompreensível para o universo castrense.

Recentemente concretizou, contra tudo e contra todos, uma (a enésima nos últimos anos) reforma da estrutura superior das Forças Armadas, cuja utilidade, tanto para os militares, como para o cidadão comum, é de escassa (ou nula) perceção.

Conseguiu, ainda, há escassas semanas, ser desautorizado pelo Comandante Supremo das Forças Armadas na substituição do Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Mendes Calado, permanecendo ambos, alegremente, em funções.

E, eis senão quando, no passado Domingo, aquando das comemorações do Dia do Exército, o País passou – deverão por isso agradecer todos os Paraquedistas – a conhecer de cor o Refrão de uma das músicas mais importantes do cancioneiro desta Tropa Especial (na Força Aérea até 1994, e desde então integrada no Exército), o “Ó Pátria Mãe”, que glorifica o esforço e abnegação destes militares, bem como a sua devoção ao País e espírito de corpo, incluindo com o sacrifício das suas próprias vidas.

Independentemente da responsabilidade pela diretiva ou recomendação ser ou não do Exército, será que o Ministro, sempre tão solícito em muitas matérias (maxime a igualdade de género) a interferir nas cadeias de comando militares, não percecionou o desconforto causado – desde há muito nas fileiras do Ramo – pela obsessão pela uniformização e descaracterização de símbolos (tão importantes na Instituição Militar), reconduzindo nas funções um CEME que perdeu todo o respeito pela tropa que comanda e deveria tutelar?

Em suma, 6 anos de governação socialista na Defesa (com muita influência dos seus parceiros à esquerda) tiveram como traços comuns, a interferência recorrente nos assuntos operacionais e doutrinários (ao arrepio de tudo o que dispõe a Constituição e a Lei), a arrogância e obsessão pela Linguagem Inclusiva e pela Igualdade de Género. Serão assim tristemente recordados pela Pátria Mãe que pretendem silenciar.

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